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O eLearning (ensino por meios electrónicos)  começou a aparecer faz já uma década. Uma tendência que acelerou nos últimos anos, só agora, no entanto, está a atingir a maturidade. As ofertas multiplicam-se na internet, seja para estudo online, ou offline, desde simples cursos específicos de iniciação, até programas completos de graduação universitária, aos vários níveis.

As grandes instituições universitárias de todo o mundo (principalmente do mundo anglófono, onde se salientam sem qualquer sombra de dúvida, o Reino Unido e os EUA) oferecem online vários dos cursos ministrados presencialmente, e em certos curriculuns até alguns dos graus concedidos presencialmente. Pode-se hoje fazer um curso ou grau universitário sem sair de casa. E sendo ainda um campo em que as evoluções estão a ser permanentes, conforme as plataformas vão sendo cada vez mais “user friendly” e proporcionando mais e mais avançados recursos, as surpresas e novidades não vão parar nos tempos mais próximos.

A oferta de cursos cobre praticamente todas as áreas  mas essencialmente as não laboratoriais e as mais teóricas. De sociologia a física e matemática, de economia a antropologia, de literatura a psicologia, de filosofia a biologia, praticamente todos os campos do conhecimento estão representados. No entanto as estrelas incontestadas são as ciências da computações, sistemas e as tecnologias de informação. E não é de espantar: para todos os efeitos são aquelas em que o conhecimento teórico puro é mais fundamental, e em que a prática individual constitui a base de toda a experiência, sendo ainda totalmente realizável com recurso ao computador, que é afinal o meio usado para o eLearning. Aprender a programar ou a administrar um servidor ou uma rede é algo que hoje se faz em casa; definitivamente!

netop-e-learningOs tipos de cursos disponibilizados podem ser um curso directamente online, usando o browser sobre uma plataforma alojada em servidores da instituição de ensino, ou para estudo offline, na maioria das vezes com recurso a aplicações específicas e próprias, e que permitem gerir e aceder aos conteúdos programáticos (textos, vídeos  podcasts, interactivos, etc) e usá-los ao ritmo de estudo apropriado ao estudante. Neste último caso há também vários modelos, desde aqueles em que os conteúdos são descarregados da internet, numa base de por cada matricula, aqueles em que são adquiridos em suporte fisico (CD, DVD ou Pen/FlashCard). Existem ainda os modelos mistos com um mix de conteúdos online e conteúdos offline (descarregados ou adquiridos em suporte fisico).

Não se pense no entanto que todas as ofertas de ensino são gratuitas. De facto a maior parte das ofertas de qualidade são constituídas por cursos universitários pagos, com um programa tão rígido como os cursos presenciais. E os custos, se bem que inferiores, ficam na mesma ordem de grandeza. O equivalente a uma licenciatura de Bolonha (seis semestres) na versão online pode ficar por valores entre os 7.000€ e os 25.000€, apenas em valores de matricula, dependendo dos estabelecimentos de ensino, do modelo de curso, e da área de conhecimento em causa. A grande vantagem económica está pois, e apenas, na economia feita na deslocação para o local do estabelecimento físico  a que um curso presencial obriga, na não necessidade de aquisição de materiais de estudo (já que são geralmente fornecidos na integra em formato electrónico). A isto soma-se a conveniência do estudo na comodidade do lar, com a adaptabilidade de horários, e com a possibilidade de os ajustar à maior conveniência individual, compatibilizando estudo com trabalho, por exemplo. A disponibilidade de formação gratuita é mesmo assim importante. E para estudo informal a oferta é variadíssima. Também a forma como é utilizado é!

Casos há em que o estudante de um curso universitário presencial complementa a sua formação com um curso em eLearning na mesma área  Noutros casos a complementaridade ocorre pontualmente, já que um estudante de uma universidade de ensino presencial apenas aproveita um ou outro curso online para as matérias ou cadeiras em que sente maior dificuldade. Noutros casos os cursos online são usados apenas para valorização individual ou profissional, sem o objectivo de obtenção de diplomas. Mesmo para quem apenas frequenta as ofertas gratuitas, é muitas vezes compensador apenas o facto de dominar ou ser introduzido em mais um campo de conhecimento. Para outros a obtenção de certificados e graus académicos formais é condição essencial, valendo o valor que para isso tem que ser pago. As hipóteses e combinações são inúmeras.

imagemNo caso da frequências de cursos com vista à obtenção de grau académico formal, em muitos casos a formação universitária prévia pode ser usada, sob a forma de créditos, por forma a abreviar a formação e baixar o seu custo. Isto ocorre em geral quando o estabelecimento fornecedor de eLearning é uma universidade ou instituição física com funcionamento regular.São os casos das várias universidades inglesas e americanas, como por exemplo o MIT, Open University, Universidade de Stanford, etc.

A tendência é já irreversível. Pode-se pensar que dentro de alguns anos, pelo menos maioritariamente  todo o ensino universitário poderá em alguma fase passar por eLearning. Ainda que a Universidade não seja apenas a obtenção de conhecimento, já que tão importante como a obtenção de conhecimento formal teórico, é importante a vivência do ambiente académico, de estudo e debate, a prática de investigação e pesquisa, o contacto com especialistas e equipas, com meios e tecnologias apenas disponíveis na universidade, e em alguns campos do conhecimento, o trabalho de laboratório e de campo, bem como o trabalho de equipa, a tendência parece ser bem verdade. Mas também pelas razões expostas o eLearning não excluirá nem substituirá nunca inteiramente a universidade presencial!

Pode portanto prever-se um cenário em que os cursos decorrerão de forma mista presencial + eLearning (blend learning ou bLearning)), em que o eLearning é apenas complementar (para fornecer conhecimentos em áreas adicionais não cobertas pelo corpo principal do curso), ou em que o eLearning constituirá a forma de eleição para a formação complementar após a obtenção do grau (pós-graduações, formação especifica complementar). Seja como for, e qual for a evolução da aceitação que a universidade e sociedade dê aos graus obtidos por eLearning, este é uma ferramenta fundamental para a aprendizagem informal, complementar ou para a actualização e valorização profissional, para a aprendizagem em ambiente laboral e para a aprendizagem pré e pós universidade. E disso ninguém tem dúvidas.

Referências

50 Top Sources Of Free eLearning Courses

35 Sources for Curated Educational Videos

Our Proven Results – Open Learning Initiative (OLI) at Carnegie Mellon University

The future of e-learning: a shift to knowledge networking

eLearning em Learn Net Advisors & Research