A imprensa tem-se-lhe referido como Realidade Virtual. Não é! De facto é realidade aumentada (RA). Certo é que a proposta de conceito da Google, não sendo revolucionária é uma primeira proposta inteiramente realizável já hoje, no curto prazo, com a tecnolologia disponivel. Pode por isso transformar-se rápidamente em produto. E aí é que está a grande novidade dos chamados “Google Glasses” (óculos Google).

O conceito já tinha sido várias vezes proposto no passado, mas nunca com possibilidades de passar a protótipo. Neste momento porém tornou-se viável. Usando e reunindo as tecnologias já usadas em telemóveis, interfaces interactivas, aplicações de pesquisa e localização, redes sociais e comunicação, a Google propõe a transferências para uns óculos especiais de toda esta tecnologia de TI usada noutros dispositivos, usando esses óculos como dispositivo de apresentação e permitindo que as informações se sobreponham de forma contextualizada às imagens do mundo real, vistas pelo seu utilizador. Mas a proposta vai mais longe, adicionando ainda a capacidade de processamento em tempo real da imagem captada por uma câmara, capaz de reconhecer os elementos das imagens captadas e vistas pelo utilizador. Além disso um interface de voz, capaz de reconhecer a fala humana, reconhece comandos, nomes, lugares e é capaz de transformar em texto tudo o que lhe é transmitido verbalmente, criando um interface natural de interacção com o utilizador. Outros dispositivos poderão ainda ser integrados, como por exemplo sensores de eye tracking, entre outros.

O dispositivo funcionará como interface ligado a um vulgar smartphone, e recorrerá depois a aplicações, já hoje comuns, ainda que devidamente adaptadas para o interface. A localização geográfica, a gestão de agenda, a comunicação nas redes sociais, e toda a panóplia de serviços online como os serviços bancários, a compra de bilhetes, os microblogs, etc. E tudo isto integrado de forma tranquila e suave.

A Google disponibilizou já um video, que pretende ser uma previsão de como o conceito poderá ser implmentado na prática. Não se prevê uma utilização intensiva por todos os utilizadores, mas mais um uso pontual, como aliás hoje se usa um iPad ou as aplicações disponibilizadas num smartphone. No entanto é provável que muitos utilizadores se habituem de tal modo ao interface, que não o venham a dispensar. A realidade aumentada é de facto extremamente aditiva, e em muitos casos os utilizadores falam de um outro nivel de percepção do mundo e de um novo patamar de produtividade e de interacção.

“It will look very strange to onlookers when people are wearing these glasses,” diz William Brinkman, cientista director do departamento de ciências de computadores e engenharia de software, na Universidade de Miami, em Oxford, no Ohio. “You obviously won’t see what they can from the behind the glasses. As a result, you will see bizarre body language as people duck or dodge around virtual things.”

Poucas pessoas viram ainda os protótipos, uma vez que estão a ser desenvolvidos nos laboratórios Google X , uma localização secreta da Google, perto do seu campus, em Mountain View na California, no qual cientistas e engenheiros trabalham em conceitos como  elevadores espaciais e robots providos de autonomia e IA (inteligência artificial). O “Project glass” foi desenvolvido por uma equipa interna da Google, incluindo Babak Parvis, Steve Lee, e Sebastian Thrun. Alguns protótipos de desenvolvimento estarão a ser testados internamente por funcionários da Google, nos próximos meses, apesar de não haver ainda qualquer noticia quanto à sua possivel produção futura. Mas, pelo interesse que tem despertado, e porque todas as tecnologias são já conhecidas, tudo será uma mera questão de tempo.

Referência
http://www.designboom.com/weblog/cat/16/view/20275/project-glass-google-ar-glasses.html

http://www.nytimes.com/2012/02/23/technology/google-glasses-will-be-powered-by-android.html