Não é segredo nenhum que Portugal é um dos paises do mundo com maior indice de utilização das transacções electronicas, apresentando uma excelente posição no ranking dos paises da UE. 

O número de transações electrónicas em Portugal é já muito grande, e extremamente significativo no ambito do funcionamento da economia, e não são transacções apenas baseadas na internet: todo o sistema de portagens, a rede de ATM’s (em que portugal apresenta uma abundancia muito acima dos restantes paises da UE, com o primeiro lgar absoluto), no número de serviços disponiveis por meios electronicos (mais uma vez as ATM em Portugal apresentam o maior número de serviços, relativamente a toda a UE). 

Significativo é ainda o número de lojas online, a quantidade e volume de compras e vendas nestas lojas, bem como o peso que as vendas online assumem nas empresas que o apresentam em conjunto com outros canais. 

Para toda a situação excelente em que Portugal se encontra no capitulo do comércio electrónico, contribuiram certamente, além da rede de ATM´s, e dos serviços nelas disponbilizados, toda a reconversão de muitas empresas para o fornecimento de documentos electronicos, em substituição dos documentos em papel e uso das transacções electronicas (facturação, encomenda, expedição, pagamentos), principalmente nos serviços ligados à banca e aos seguros, mas também na administração pública (em que portugal apresenta um dos mais extensos conjuntos de serviços de toda a UE). 

Seguir o mercado

Seguir a evolução deste mercado é possivel. Na realidade, estudos regulares são efectuados à evolução do comércio electrónico no nosso país. 

De periodicidade trimestral, o “Barómetro Trimestral do Comércio Electrónico” é realizado pela NetSonda e ACEP/ACEPI (Associação do Comercio Electrónico de Portugal ou, segundo a nova designação, Associação do Comércio Electronico e Publicidade Interactiva) e espelha a evolução da situação.

O estudo trimestral cobre várias áreas e adquiriu já um estatuto de confiança que não permite que seja ignorado. As publicações do barómetro podem ser encontrados, além do site da ACEP/ACEPI, no site da NetSonda em http://www.netsonda.pt/not_estudos.php

Outra boa fonte de dados é certamente o repositório de publicações da ANACOM sobre Comercio Electrónico

Os números

Segundo o estudo “Barómetro Trimestral do Comércio Electrónico”, referente ao 3º trimestre de 2009, as entidades com comércio electrónico referem que o número de transacções continua a aumentar.

 Enquanto 23% das entidades refere uma diminuição do número de transacções, 72% das entidades referem um aumento. Os números indicam mesmo que 10% referem um aumento superior a 50%, e destas 5% referem um aumento superior a 100%. 

Ainda que o aumento referido seja ligeiramente inferior ao dos trimestres anteriores, não se pode sequer identificar um abrandamento neste crescimento, com mais entidades a referir, relativamente a trimestres anteriores, e por exemplo, crescimentos entre 10 e 30%, e uma diminuição ligeira das entidades que referem algum tipo de diminuição. 

De referir ainda que 33% das entidades referem um volume de negócios online superior a 1 milhão de euros, com 50% a ter um volume de vendas superior a 500 mil euros! 

Note-se ainda que, e são números muito significativos, um em cada cinco sites refere ter registado entre 10.000 e 50.000 clientes neste 3º trimestre de 2009, e 38% das entidades inquiridas afirmam ter tido mais de 10.000 clientes. 

Adicionalmente 60% dos inquiridos manteve o investimento nos seus sites e 35% chegou mesmo a aumentá-lo, relativamente aos trimestres anteriores. Estes são números que mostram um crescente interesse neste canal, presumivelmente porque é um canal com um bom retorno de investimento, e a manter as perspectivas de crescimento. 

De notar ainda, que além do homebanking, os sectores que mais representados estão online continuam a ser Electrónica/Telemóveis, Informática, Livros/Revistas, Jogos/Consolas, DVD/Vídeos, Bebés e Brinquedos, Casa/Arte/Decoração, Bilhetes, CD/Música, Relógios/Óptica, Alimentação, Bebidas, Tabacaria e Charutos, sem alteração significativa, portanto. 

O peso da electrónica, telemóveis e informática continua a ser enorme, com mais de 58% dos sites a indicar a sua venda, mas um peso significativo vem também dos Bebés e Brinquedos (25% dos sites) e Livros/Revistas (20% dos sites). Os restantes sectores estão representados cada um em 18% ou menos dos sites. A venda de bilhetes é também um sector importante, ainda que (pela própria organização do sector) poucos são os sites que a fazem, mas acreditamos que nesses é um negócio em constante crescimento.

Incrivelmente o sector de viagens/turismo (8% dos sites) e transportes são sectores pouco representados. Mas certamente isso deve-se a terem sido apenas considerados sites nacionais, e o obvio aumento de vendas de viagens aéreas e reservas de alojamento por via electrónica, não se reflecte nestes. Certamente um ponto a repensar, uma vez que internacionalmente o público já vai dependendo quase totalmente da reserva/compra electrónica/internet. Certamente que uma menos operacionalidade neste canal dos operadores nacionais, vai penalizar fortemente a condução de fluxos turisticos para o nosso país.

De qualquer modo devemos considerar que grande parte das transacções de turismo, entre operadores, são integralmente electrónicas e, ainda que possa não estar representado no estudo, é um dos sectores mais pesados neste canal, e que há mais tempo usa meios electrónicos.

Um fenómeno curioso, em dois dos sectores mais representados, é o de que contra o crescimento dos sites que venderam neste trimestre telemóveis e electrónica, há uma clara diminuição dos sites que venderam informática, na linha aliás do que se passa no comércio tradicional (mostrando assim que o canal do eCommerce está maduro e apresenta já comportamentos em linha com o dos outros canais). 

Quanto a perspectivas de evolução é clara a espectativa de manter ou crescer o número de vendas no trimestre seguinte, excepto no caso do B2B (Business to Business) em que, apesar de desaparecerem os medos de uma diminuição geral do comércio electrónico presente no trimestre anterior, aparece agora uma opinião bem mais moderada acerca do crescimento, parecendo apontar para uma certa sensação de estagnação.  

Aliás é o sector do B2B em quePortugal parece estar mais atrasado, se virmos outros estudos, nomeadamente os da UE, com fraca oferta de serviços e produtos, e com pouca adesão por parte das empresas. Mas de qualquer modo esta situação mais não faz que traduzir a situação do tecido empresarial português, principalmente nas PME´s e microempresas, com pouca adesão aos meios tecnológicos, com pouca capacidade de inovação e investimento em novos processos, e com dificuldade em acompanhar a evolução tecnológica internacional.

 
 
 
 

As associações

A ACEP – Associação do Comércio Electronico de Portugal, que recentemente alterou a sua designação para ACEPI – Associação do Comercio Electrónico e Publicidade Interactiva é uma associação já com alguma antiguidade e que entre outras actividades reune como associados várias empresas que operam nesta àrea, pretende representar este sector de actividade, e estabelecer um conjunto de serviços às empresas e utentes, compativeis com o seu estatuto, como por exemplo a realização periódica de estudos sobre o sector e sobre a actividade do comércio electrónico em Portugal.

No entanto as mais conhecidas actividades da associação são os estudos trimestrais conhecidos por  “Barómetro Trimestral do Comércio Electrónico” (ver acima) realizado em conjunto com a Netsonda, a “Semana do Comércio Electrónico”, em conjunto com a  UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento de que se realizaram várias edições, e o programa PACE de certificação de lojas online, garantindo um código de conduta e um nivel de relacionamento e suporte com o cliente que elevam sem duvida a confiança e a qualidade do serviço prestado online. 

No seu site está disponivel variada documentação e estudos sobre o sector, sendo a mais fiável fonte sobre o assunto. 

Referências
ACEPI – Associação do Comercio Electrónico e Publicidade Interactiva
NetSonda
ANACOM sobre Comercio Electrónico
UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento 

Barómetro Trimestral do Comércio Electrónico em Portugal 2º Trimestre de 2009 (ver os restantes no site da ACEPI)
http://www.umic.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=21&Itemid=62