Frequentemente nos perguntam como usar eficientemente a web para o marketing de pequenos negócios, sejam Microempresas, PME ou profissionais liberais. A visão é, em geral, a de um web site que faça milagres.

Na prática, a presença na internet através de um web site é fundamental para qualquer Microempresa ou profissional liberal! Mas não é tudo!  E o potencial da web vai muito além da presença simples através de um website, por muito bom que ele seja.

Definir uma estratégia para a abordagem da web, por uma microempresa, para um efectivo retorno nesse (pequeno) investimento de marketing, passa por conhecer e realmente compreender o potencial.

Este artigo tenta ajudas nesse ponto.

1. O WebSite

Onde procura um numero de telefone, o possivel fornecedor de um produto, um técnico para reparação de uma máquina, o representante de uma marca? Se a resposta foi “na net!”, então já sabe porque é importante ter um website!

Mas se não foi, e não usa a net para as suas pesquisas, lembre-se que a net já é em Portugal o meio mais usado para encontrar parceiros, fornecedores, produtos, equipamentos e marcas. E isso é verdade quer se trate de empresas quer de privados. O eComerce e o B2B apresentam em Portugal, como no resto do mundo, um crescimento que largamente ultrapassa todos os restantes meios acumulados.

Ter um website é pois para a microempresa fundamental para ser encontrada pelos seus potenciais clientes. Mas não é um website qualquer: quando um potencial cliente encontra a sua empresa na net, o website é o meio pelo qual obtém a primeira impressão da sua empresa. E a primeira impressão é fundamental! Pode conseguir um cliente, ou perdê-lo para sempre. Pense nisso

E neste sentido o website deve efectivamente ser profissional, informativo, traduzir uma imagem adequada e cuidada da empresa da marca e dos produtos, ser usável e prático, tão apelativo como se de um anuncio de televisão se tratasse: desse modo consegue-se um cliente.

Websites descuidados, complicados e dificeis de usar, sem informação de interesse ou com informação desactualizada, sem conteúdos, “em construção”, ou apesar de tecnicamente bem feitos, veicularem uma imagem desadequada da empresa, uma estética discutivel e incoerente, são o primeiro passo para perder o cliente. Afinal quem quer comprar a uma empresa que nem da imagem sabe cuidar?

Pense no WebSite como o show room mais barato e eficiente que pode conseguir, como o catálogo com a maior tiragem que alguma vez vai sonhar, como o seu mais eficiente vendedor ou como o mais fascinante anuncio de televisão, e entendeu o conceito!

2. O SEO

SEO significa Search Engine Optimization, ou seja optimização para os motores de busca. O que é isso? Ter um website não chega! É preciso que ele seja encontrado por quem o procura, ou por quem não o procurando expressamente, procura produtos que a sua empresa vende. Para isso o site tem que ser tratado tecnicamente e optimizado. E nem todos o sabem fazer.

Ora a pesquisa faz-se através dos motores, dos quais o Google ou o Bing são bons exemplos. Acontece que os motores de busca só apontam para os sites que, de forma automática conseguiram identificar e associar a palavras e expressões (chamadas palavras chave). Através dessas associações o seu site será apontado como resultado se um utilizador pesquisar uma dessas palavras chave ou outras semelhantes.

Que acontece se os motores de busca não conseguem identificar conteudos do seu site e associá-los a palavras chave? O site não será indexado (pelo menos não totalmente) e não aparecerá nos resultados das pesquisas!!!

Mas já pensou que para cada pesquisa haverá milhares de sites em todo o mundo que respondem a com palavras chave adequadas? E sabia que nos resultados de uma pesquisa o utilizador contenta-se com a primeira ou segunda página de resultados? Que acontece se o seu site aprece no 30º lugar dos resultados? Nunca ninguém o vai ver, e será quase o mesmo que não ter site!

SEO é a optimização do website para responder á indexação dos motores de busca, e principalmente de um modo que adquira “relevância”, para que apareça nos primeiros lugares dos resultados de uma pesquisa.

Uma loja funciona onde passam pessoas… não em ruas desertas. Com os websites acontece o mesmo: eles funcionam se há gente que os encontra. Entregue sempre esse trabalho a especialistas, e depois valide sempre, testando.

3. Forneça Conteudos

Para que serve um website onde não se encontra informação? Para pouco.

É importante que o website faça quem o encontrou, sentir que vale a pena usar o site. O utilizador tem uma tendencia a permanecer pouco tempo em cada site (o assunto está bem estudado), e cada segundo que conseguir que ele permaneça é mais uma oportunidade de que ele se interesse. E vale a pena dar-lhe razões para lá voltar.

A solução é: fornecer conteudos, informações, documentos, tabelas de consulta, descrições e imagens de produtos, conselhos de uso, aplicação, etc… e noticias e actualidades. É que se o seu site parar de actualizar a informação, também o seu potencial cliente deixará de o procurar: ninguém quer ler todos os dias, repetidamente, o mesmo jornal. Todos queremos ler o jornal do próprio dia!

Forneça conteúdos, e actualize-os com uma base regular. Forneça noticias, actualidades, novidades e mantenha o seu potencial cliente informado. É o meio de publicidade, mas também de informação,  mais barato que tem à sua disposição.

4. Crie um blog

Um blog não é mais que um website que funciona como um diário ou um noticiário. Textos e multimédia vão sendo introduzidos cronológicamente  no blog. O leitor vai vendo o blog sempre actualizado com os novos textos.

A grande vantagem dos blogs é que, se os textos e conteúdos tiverem qualidade, os utilizadores vão seguir o blog! Mas para isso é necessário manter uma actualização permanente e regular: coloque pelo menos um “post” diário, para blogues de actualidade, e um semanal se o seu blog é apenas de informação de fundo, com grandes textos temáticos; para blogs de outra natureza intermédia, coloque textos duas ou três vezes por semana. Se o blog não for regularmente actualizado perde seguidores. Mas se fôr, e tiver conteúdos de qualidade, vai ver a quantidade de seguidores a aumentar.

Um cuidado a ter é a qualidade dos conteúdos. Fale apenas do que sabe, reproduza informação relevante de fontes fidedignas: os seus fornecedores ou o gabinete técnico da sua empresa entregam-lhe notas técnicas ou de aplicação de produtos? Os catálogos que recebeu contém descrições detalhadas? As acções de formação em que participou tiveram momentos interessantes? Viu novidades numa feira profissional? Tem opinião sobre o mercado e a sua possivel evolução, e viu isso confirmado por indicadores económicos? Partilhe essas informações!

E depois há vantagens adicionais: os seus potenciais clientes começam a entender aquilo em que realmente é especialista, e o blog começa logo a funcionar como um filtro, e como o primeiro tijolo na construção de um entendimento e na confiança que o potencial cliente vai colocar na sua empresa.

Além disso um blog pode falar de multiplos assuntos, usando expressões diferentes e variadas para o mesmo assunto, pode falar de assuntos que não sendo a especialidade da empresa estão em campos muito proximos, ou que são do interesse dos potenciais clientes… e isso ajuda a ser encontrado pelos motores de busca!!!

5. Participe nos blogs dos outros

Tal como publicar no seu blog ajuda a que ele seja encontrado nos motores de busca, também deixar comentários e apontadores para os seus posts noutros blogs resulta do mesmo modo e ajudará a que utilizadores e motores de busca encontrem o seu site, blog e a sua empresa e produtos ou serviços!

Isto funciona, claro, se os comentários forem interessantes, relevantes, e completamente dentro do contexto: participe e será uma mais valia para os outros internautas, mas terá com isso beneficios insuspeitos. Se vir num blog uma opinião com que concorde sobre um assunto que já comentou, diga-o e aponte o seu proprio texto. Se vir um comentário que falha em alguma informação, corrija e ajude. Dê pistas que conhece, quando vê duvidas e perguntas. Partilhe o seu conhecimento.

O mesmo se passa para os foruns online, em que a participação construtiva pode gerar um elevado retorno para a sua empresa. Indique produtos que vende, quando alguém pergunta. Dê informações técnicas, e corrija os erros que fôr vendo. Aponte para documentos do seu site e posts do seu blog, se está certo que eles ajudarão alguém.

Não duvide que é uma das maiores formas de divulgação. Mas nunca (NUNCA!) force a passagem de informação, fora de contexto, nunca entre em polémicas, nunca critique de forma destrutiva. Isso criará odios e rejeição e não funcionará a seu favor. Já uma atitude construtiva, aberta e tolerante fará maravilhas e produzirá resultados milagrosos.

6. Mantenha um canal de comunicação online

Manter uma conta de mensagens instantãneas (Windows Messenger, MSN, Messenger Live, etc) e ter presença frequente online, ajuda a que contactem consigo. Identifique essa conta da empresa no website e no blog ( mas faça-o de maneira que não possa ser usado para spam).

Faça disso uma missão diária, sempre que puder. Pelo menos mantenha esse canal a funcionar na empresa, para contacto dos seus cliente. Verá que muitos probelmas se resolvem assim, sem necessidade de mails, correio, telefonemas ou reuniões. E para o seu cliente é a percepção de um serviços rápido /instantâneo e não dará oportunidade de que, em caso de necessidade urgente, ele procure outra empresa para resolver os problemas.

A dificuldade é, neste caso, evitar os amigos e conhecidos, e as perdas de tempo com assuntos menores. Mas se a conta for formalmente da empresa (não use os nomes pessoais, mas sim nomes como SUPORTE, ASSISTÊNCIA, GERAL ou outros mais formais), e os contactos forem sempre formais, o assunto está resolvido e o seu potencial cliente agradecerá os esclarecimentos que lhe proporciona.

Pode também usar o SKipe ou outros tipos semelhantes de comunicação de voz online (serviços VOIP).

7. Email

Mantenha e divulgue uma conta de e-mail da empresa (eventualmente uma por cada função e colaborador). Use nomes genéricos para essas contas (geral@dominio,pt ou comercial@dominio.pt ou tecnica@dominio.pt são bons exemplos). Divulgue essas contas, nos cartões comerciais, no website, no blog, etc.

O email é um dos principais meios de comunicação na web. É importante que um potencial cliente sinta que pode pedir uma informação, obter um preço, pedir um esclarecimento. Verifique e responda prontamente aos mails que recebe (pelo menos duas vezes por dia verifique se tem mail).

8. Use as redes sociais

Redes sociais como o linkedIn (www.linkedIn.com) e outras semelhantes, são redes sociais essencialmente profissionais. Elas ligam profissionais de vários ramos, permitem divulgar a formação e habilitações relevantes no contexto profissional, bem como a experiência profissional anterior. Muitos contactos nascem nessas redes.

Mas é hoje comum o uso de redes e sites sociais como o Facebook ou MySpace. Entenda como funcionam estes sites, cria a sua conta pessoal, crie uma conta de empresa, crie um grupo de fãs ou um grupo de interesses no Facebook ou noutra qualquer rede do género, mantenha-se activo nessa rede, divulgue informação e noticias.

Os grupos de fãs estão na moda e se criar um grupo de fãs para um produto, marca ou empresa, use-o como canal de difusão de tudo o que queira comunicar com o mercado, mas faça-o com regularidade e parcimónia. Rápidamente crescerá o circulo de fãs ou de participantes.

Não se esqueça de divulgar esses grupos que criou, por exemplo participando noutros grupos, e criando links para eles no blog ou no site da empresa. Crie eventos digitais em torno desses grupos  – por exemplo, o lançamento de produtos préviamente anunciados para uma data e hora fixa, na qual faz a divulgação, de fotos e catálogos.

E quando se sentir à vontade com as redes sociais, faça a sua empresa participar em várias, de preferência adequadas ao seu mercado. E cruze o uso das várias redes sociais, dinamizando a troca de informações de uma rede para outra (anuncie numa rede os grupos da outra, dinamize eventos de uma rede, divulgando-os nas restantes, cite o blog nas várias redes, e os vários grupos no blog, etc.).

9. Mantenha um Fotolog/VideoLog

Um videolog e um blog baseado em video (pode criar um também um fotolog, que como o nome indica usa fotografias).

Divulgue os serviços ou produtos da empresa com pequenos videos (ou fotos) do produto, do serviço, de formações ou apresentações, etc. Manter um videolog não é dificil, desde que tenha uma boa fonte de conteúdos (É capaz de produzir os videos internamente? Ou será preferivel o recurso a um amador capaz? Ou talvez um profissional! Ou video com origem nos seus fornecedores (muitas marcas disponibilizam material promocional em video)?…)

No minimo disponibilize os videos num qualquer meio, mesmo que não seja um videolog. Não esqueça as alternativas: o YouTube e o Vimeo são as formas mais popular de disponibilizar videos, mesmo para quem não tem um videolog regular, mas há outros meios…

Um dos tipos de vídeo muito populares são aqueles que ensinam a tirar partido especial de produtos, os que mostram instruções de uso ou de aplicação, ou os que mostram como realizar um certo projecto com um produto, na modalidade de “Faça Você Mesmo”. Depois divulgue em sites da especialidade (para encontrar sites de “faça você mesmo” procure por “DIY” e “Do it yourself” e, se não é utilizador de sites desta modalidade vai ficar espantado com a quantidade existente) .

Os videos aparecem destacados nas buscas, são atraentes, e podem transmitir quase qualquer mensagem de marketing ou publicitária que seja necessário, principalmente em àreas mais marginais, em que a comunicação formal de marca pode não ser tão conveniente. E lembre-se ainda que não é necessário usar video muito profissionais: a maioria são videos de boa qualidade, mas com produção e realização perfeitamente amadora.

10. Use newsletters e e-email

Faça divulgação de noticiários  de, por exemplo, alterações de catálogo, promoções de produtos, anuncios de preços, de apresentações públicas, da disponibilização de novos produtos, documentos, catálogos ou serviços, usando o e-mail.

Mas faça-o de forma profissional e, lembre-se, o aspecto visual é absolutamente essencial: recorra a um serviço online especializado, use templates gratuitos ou que você encomendou expressamente para o efeito (recorra a empresas de webdesign).

Não envie este tipo de mail com demasiada frequencia. Mantenha uma lista actualizada de destinatários. Coloque no site uma forma de subscrição das newsletters. Dê uma forma de o receptor se retirar da lista (online ou usando uma solicitação por mail.

O efeito deste tipo de promoção é baixo, em termos práticos, se considerar-mos as vendas, mas é muito eficaz na divulgação, na manutenção de presença, e no efeito de memória que pode ser criado para a marca, nome de empresa, ou mesmo para a identificação de uma empresa com os produtos que vende. A médio/longo prazo os resultados crescem.

Ao escrever este tipo de newsletters,  lembre-se que deve ser breve, directo e objectivo, forneça a informação básica e relevante,  e um link para uma página do site em que pode ser lido o resto, obtidas as condições em detalhe, descarregada a tabela de preços ou o documento, etc.

Conclusão

Essencialmente lembre-se: a sua presença na Web não pode ser passiva! Esteja presente activamente, com participação regular, e principalmente  forneça e actualize com regularidade elevada: CONTEUDOS.

A internet é um meio poderoso de marketing para as PME’s e Microempress. Basta saber usar.

Referências
http://webworkerdaily.com/2010/01/20/4-ways-to-market-your-business-with-content/
http://www.marketeer.pt/2009/12/04/e-mail-marketing-e-redes-sociais-no-horizonte-das-pme-para-2010/