Fiquei entusiasmado com alguns dos desenvolvimentos multimedia que apareceram em 2009. Confesso que sim. Principalmente as àreas do multitouch e da interactividade estiveram prenhos… infelizmente continuam e parece que o parto está dificil.

Quanto ao suporte multitouch da Microsoft, parece que o os anuncios foram prematuros. O mercado não estava preparado, e a tecnologia tarda a aparecer. A incorporação de suporte multitouch nos sistemas operativos está lenta e dificil e dificulta a divulgação dos conceitos. O que foi realizado pela Microsoft pouco ultrpassou o que já estava estabelecido entre os realizdores do mundo do open-source e parece que nunca mais se consolida. Por este lado podemos esperar pouco, apesar das press releases da companhia, e dos anuncios que mais parecem verdadeiros flops que reais inovações.

No campo do multitouch open-source, as coisas parecem caminhar lentas.

Já no campo da realidade virtual e da geolocalização os desenvolvimentos sucedem-se e parece que não param de nos surpreender. Primeiro, e surpreendentemente, foram os primeiros passos da adesão do Facebook ao conceito de geolocalização. Depois foi o Twitter a parecer querer dar os primeiros passos neste campo ainda antes de tantos outros serviços mais obvios como candidatos ao titulo de pioneiros. Satisfas-nos, no entanto, queneste campo as nossas previsões anteriores confirmaram-se e esta percepção da potencialidade da geolocalização só demonstra a dinâmica que estes serviços sociais de Web 2.0 estão a ter.

Durante 2009 deixámos neste blog sugestões de um futuro proximo em que gente apontando o seu dispositivo movel para uma paisagem urbana, skyline ou rua, poderia vir a receber meta-informação sobre o mapa do lugar, o roteiro turistico ou cultural, os negócios presentes, os pontos de interesse, a agenda dos teatros e cinemas ao seu alcance ou uma lista de amigos e conhecidos nas proximidades. Encontrar um taxi, restaurante ou farmácia, hospital, bar, espectáculo ou discoteca seria feito do mesmo modo: apontando o telemóvvel, captando imagem do local e obtendo instantâneamente informação das redondezas, de quem está nas proximidades ou do que vai acontecendo num raio alcançável nos minutos seguintes.

Imagina um mundo assim, com o seu dispositivo móvel, iPhone ou outro semelhante como guia permanente? Pois então deicxe de imaginar. Isto é o que podemos esperar como pricnipal inovação para 2010. O Google earth/Google Maps começa a ter coberturas completas de vastas zonas urbanas em todo o mundo; Twitter e Facebook começam a georeferenciar as suas informações; localizar um dispositivo móvel, seja qual for o seu modo de ligação à rede de dados, é um dado adquirido. Nada mais é necessário e as potencialidades vão passar rápidamente a ser exploradas. Apenas faltam as aplicações realmente úteis. E estas estão na calha, e há muita gente a trabalhar nelas.

Registe que a sua proxima sensação vai ser chegar a um qualquer local de Londres ou Nova York (e porque não Porto ou Lisboa?) e, no seu iPhone, pedir um restaurante proximo. Em menos que nada receberá as sugestões das proximidade. Explore, e encontre os detalhes, os restaurantes de nicho, os “must” os de moda, os tradicionais, e os outros. E verá também todos os estabelecimentos que lhe permitam a continuação de uma noite em grande.

Mas imagine-se num museu, apontando o iPhone para uma pintura e como por magia aceder instantâneamente a uma página da WiKi com toda a informação referente a essa pintura. Isto é o futuro que nos está próximo, possivelmente já em  2010. E quem diz um museu, porque não numa paisagem natural, num zoo ou num parque temático? Haja quem forneça os conteúdos.

Noutros campos, assistimos à consolidação de conceitos de multitouch, se bem que mais no campo da sua comercialização, divulgação e disponibilização. Inumeras empresas entraram no negócio, um pouco por todo o mundo, da China aos EUA. Aplicações de mesas interactivas multitouch, paredes interactivas, montras e vitrines interactivas, adicionando conceitos de tagging para realidade aumentada, realidade virtual omnipresente, ou conceitos mais simples em que o multimedia se espalha em mistura com a interactividadde (lojas e montras interactivas, online versos real, etc.).  Espere vir a encontrar um jogo na mesa do seu bar preferido (ou consulte aí a Wikipedia), ou prepare-se para escolher a sua refeição na mesa do restaurante. Tudo isto explodirá durante 2010. E se não for na sua rua, será na rua ao lado… acredite.

Muitos serviços internet tornar-se-ão georeferenciados e georeferenciáveis.

E na internet esqueça o acesso a partir do computador. Cada vez mais usará os dispositivos móveis para o acesso. E os serviços disponiveis cada vez mais suportarão os dispositivos móveis. Não será durante 2010, mas brevemente veremos desaparecer da internet o suporte para os browsers de computador e relevarem os suportes para dispositivos móveis. Os dispositivos moveis deixarão de ser especializados e assistirá finalmente ao aparecimento de uma panóplia de dispositivos que integrarão vários tipos de funcionalidade (player mp3/mp4, GPS, televesião, camara de video, telefone, armazenamento de dados, aplicações de personal organizer e office, etc.)

E conte com projectores e players multimedia nos dispositivos móveis. A sua apresentação na convenção anual de empresa será feita a partir do seu iPhone. Provávelmente as suas apresentações em reuniões, basear-se-ão num pequeno dispositivo do tamanho do seu telemóvel, e que incluirá o armazenamento, ligação em rede, projector, e quem sabe, uma quantidade enorme de outras funcionalidades. 

Por outro lado veremos o fim da imprensa de informação, tal como a conhecemos. Os serviços online substituirão quase integralmente a imprensa escrita. A televisão, sob formatos digitais, garantidamente interactiva, eventualmente apenas online, surgirão como os grandes projectos da década. E os aparelhos de televisão com mutifuncionalidade, ou apenas como simples monitores de media boxs  potentissimas, aparecerão no mercado, permitindo ter os serviços informativos, o video e o cinema, mas também livros, estudos, pesquisas, manuais, etc., on demand. Vários serviços deste tipo surgirão em 2010.

Conte ainda com autoserviço omnipresentes, lojas e serviços automáticos, suportados em terminais inteligentes, do tipo multimbanco, ou terminais multitouch, multimedia, nos pontos de venda, assim como na oferta de personalização (customização) total de produtos e serviços, em que  o consumidor escolhe desde cores, tamanhos, decorações, até formas  e materiais.

E conte com um mercado crescente de aluguer de bens de luxo: a “sua” limousine estará a um clique, assim como qualquer objecto de marca e de assinatura; alugue-os por uma noite, para um evento, para uma festa.

Compre tudo online. As lojas globais online passarão definitivamente a ser o principal canal de comércio, pelo menos em alguns sectores (musica, livros, gifts, gadgets, electrónica, jogos, objectos pessoais). Seguindo esta tendencia, o B2B (business to business) online surgirá, agora em força, em 2010, seguindo a politica de redução de custos e aumento da eficiência de todos os negócios.

Não pensemos pequeno. Este 2010 vai ser um ano de recuperação da economia. Os novos produtos e ideias, serviços, produtos e gadgets, serão a alavanca da recuperação a nivel do consumo, mas também na redução de custos, quer no consumo individual e privado, na administração pública, quer ainda no mundo empresarial, através da presença remota, da troca digital de dados, dos novos serviços digitais, e da facilitação de acessibilidades.

Mas conceitos como a total urbanização, na àrea da cultura, o envolvimento individual dos consumidores, na área do marketing, ou o ressurgimento dos conceitos e estéticas retro, revivalistas e, principalmente, DIY (do it yourself) e tinkering (definivel como a tendencia para reparar e reaproveitar os objectos avariados e não funcionais), nas àreas dos produtos e serviços individuais, pessoais e domésticos, surgirão como contrapartida á percepção omnipresente do excesso de consumismo, e como refugio das pressões para as opções “verdes” (que afinal não passam de pequenas e inconsequentes pressões de opções e responsabilidades individuais, contra o poder económico dos grandes grupos que mantêm intocáveis os grandes monstros da sobre-exploração de recursos e de energias esgotáveis, como se nada se passasse).

As tecnologias estão alinhadas na linha de partida. Veremos quem ganha a corrida, e quem a perde (e todos perderemos, com quem a perder).

Referências
5 Trends That Will Shape Small Business in 2010
http://www.trendhunter.com/tv/trends-in-2010-forecast
http://www.trendhunter.com/tv
http://adamwestbrook.wordpress.com/2009/12/15/10-trends-in-journalism-in-2010/
http://www.engadget.com/2009/12/14/exclusive-first-google-phone-nexus-one-photos-android-2-1-on/

… e tantas outras !