Prever é sempre fazer futurologia, o que é arriscado. Mas as leituras possiveis dos sinais permitem caminhar em terreno seguro, quando os interpretamos, na analise de tendências e de mudanças. Certamente nenhuma analise de tendencias é 100% segura.

Mas aqui ficam alguns dos sinais e tendencias para 2010. A lista poderia ser esta ou outra qualquer, dependendo do foco da analise, ou do interesse do analista, e esta é apenas uma das possiveis:

1. Com a reanimação da economia mundial, e principalmente a dos paises mais ricos, as empresas voltarão a investir no marketing. Mas o controlo de custos imporá uma mais estrita e rigorosa métrica de audiências e resultados, e poucas experiências e inovações serão bem vindas. As agências apostarão fortemente nos meios com provas dadas e investirão fortemente em melhores sistemas de metrica de resultados e audiência. As empresas optarão definitivamente por meios de marketing perfeitamente mensuráveis, com beneficio para o marketing directo, para os de mais baixo custo e melhor retorno, com os meios electrónicos no topo, e para aqueles que envolvem emocional e socialmente o consumidor, nomeadamente no social marketing. 

2. O Social Marketing assumirá papeis mais importantes, e estender-se-á a mais àreas e será mais omnipresente. As abordagens serão mais especializadas, profissional e  planeadas, constituindo-se como uma disciplina por si própria. A aposta no social marketing surgirá normalmente, mas agora de uma forma mais analitica e critica, e principalmente baseada na analise rigorosa da experiência já adquirida.

3. O e-marketing continuará a crescer, ao ritmo actual, principalmente o marketing por e-mail, e na proporção inversa ao da sua eficácia, que será cada vez menor. Os marketeers procurarão meios inventivos para ultrapassar os filtros de SPAM e a resistência criada no internauta a todo o tipo de mensagens de marketing, cada vez mais presente no uso da tecla DEL.

4. O uso das redes sociais para acções de marketing crescerá, sustentada pela importância crescente destas redes. No entanto novas formas de abordagem terão que surgir, pois a eficácia das primeiras abordagems, com clubes de fãs de marca ou empresa, mesmo quando a adesão distribui vantagens objectivas como descontos e vales de compra, começou já a diminuir fortemente, com os utilizadores a eliminar e filtrar sem qualquer duvida toda a comunicação vinda por esses canais. A organização de eventos fechados por convite, distribuição limitada de documentos e outras formas de fidelização parecem ser os meios que mais têm resustado. Mas de qualquer modo assistiremos ao fim das abordagens inconsequentes e de baixo custo.

5. Uma nova ferramenta surgirá na internet na área das redes sociais (e o ritmo a que têm surgido e adquirido importância as ferramentas como o Facebook, Twitter, etc, permite prevê-lo com segurança), captando a atenção de todos os que sempre procuram o novo e que por isso mesmo são consumidores activos. Quem a aproveitar desde o primeiro momento poderá ganhar vantagens objectivas.

6. O desenvolvimento das redes e dispositivos moveis, que adquirirão em 2010 uma cobertura integral de novos serviços na maioria dos paises ricos, marcará definitivamente estes meios móveis como um dos canais de marketing mais importante de entre todos os meios existentes.

7. Novas aplicações para dispositivos moveis, nomeadamente aquelas que interagem com redes sociais e as que se baseiam em conceitos de geolocalização explodirão e adquirirão um peso preponderante na atenção dos marketeers. O desenvolvimento destas aplicações que serão multiplataforma e omnipresentes,  baixará drásticamente o custo da sua produção e utilização para o marketing.

8. O uso de reuniões virtuais, video conferência e webinars expandir-se-à de uma forma definitiva. As empresas já entenderam a economia de custos que existe na possibilidade de comunicação remota, sem deslocações e sem despesas de organização de eventos; os meios estão já num estágio de amadurecimento suficiente; os utilizadores estão já completamente à vontade no seu uso. Em 2010 haverá a explosão do uso destes meios.

9. Os sinais já presentes do fim dos meios impressos como canal de marketing acentuar-se-ão com diminuições drásticas e definitivas dos meios tradicionais como a imprensa, e o correio, uma diminução muito menos acentuada, possivemente apenas marginal, mas mesmo assim pesada em certos sectores de actividade, da aposta nos meios televisivos e de rádio com custos elevados e retornos pouco uniformes, a diminuição drástica e possivel fim dos catálogos de mail order e o definitivo reforço da aposta das lojas e catálogos online.

10. A introdução de todos estes canais no mix de marketing, exigirá às empresas a análise detalhada dos resultados obtidos por cada um deles, e uma avaliação rigorosa dos custos associados e do seu retorno. A analise de resultados de marketing adquirirá um peso cada vez maior dentro das organizações e tornar-se-á uma das funções de gestão com mais peso. O desenvolvimento de novas ferramentas, principalmente as informáticas e automáticas) para avaliar as actividades de marketing será um mercado florescente, e todas as grandes organizações darão cada vez maior importância a estas ferramentas, assentes em métricas rigorosas, analise de custo e de beneficio, e avaliação rigorosa de resultados.

Fontes
Estudos publicados da GartnerForrester Research, Interbrand, The House of Marketing

Referências
Marketeers challenges, role and trends 2010
Ruth Mortimer – Brand and Business Blog

Fast Company – 10 Marketing Predictions for 2010