O que acontece se deixarmos o cliente dirigir o brifieng, comandar o trabalho de design ou assumir o controlo das opções?

Simples: o cliente assumirá que sabe o que fazer, e passará directamente a definir COMO fazer o trabalho, e qual será o resultado final do trabalho, em vez de, isso sim, explicar apenas e tão simplesmente o objectivo detalhado do trabalho que encomenda. Em vez de explicar os objectivos, determina o resultado.

O cliente passará a exorbitar a sua competência, a definir o resultado do trabalho que afinal estava a encomendar a um especialista,  em vez de detalhar o seu objectivo, e passará ele próprio a sobrepor-se à competência profissional do especialista, que contratou.

É como se o doente, em vez de explicar ao médico os seus sintomas e esperar o exame profissional, o diagnóstico e a prescrição, resolvesse directamente instruir o médico sobre o que escrever na receita. O resultado seria desastroso.

Mas é isto mesmo que acontece quando o cliente assume a direcção do trabalho de design.

Mesmo na vida prática, todos temos a arrogância permanente de pensar que sabemos do que falamos, sobre qualquer assunto, tema ou problema, mesmo quando apenas temos o conhecimento superficial das matérias.

Falamos sempre de igual para igual com o técnico de informática, o mecânico de automóveis, o engenheiro de sistemas, o arquitecto. Afinal estamos a contratá-lo, ele terá que fazer o que queremos. E em vez de dizermos o que queremos obter, dizemos directamente como será feito.

Ignoramos os factores a avaliar, ignoramos a definição de requesitos, ignoramos as condicionantes de projecto, ignoramos as limitações e condicionantes tecnicas, ignoramos as boas práticas, ignoramos as práticas tecnicas, os regulamentos, o corpo de conhecimento cientifico, o conhecimento especializado e, irresponsávelmente, tornamo-nos com toda a arrogância e a toda a hora profissionais instantâneos de tudo. E fazê-mo-lo mesmo sem qualquer competência para tal, sem qualquer tipo de formação, conhecimento especializado, pesquisa, estudo, fiscalização, sentido critico ou capacidade de avaliação de resultados.

O cliente que pede um serviço de design esquece-se frequentemente que não o sabe fazer, e por isso está a contratar um profissional.

Esquece-se que só um corpo de conhecimentos acumulados que ele próprio ignora totalmente, transformou em especialista, através da formação de base, da investigação permanente, do estudo aturado e da prática competente, avisada e critica, o profissional a quem está a recorrer.  E não dispondo dessas ferramente, ousa emitir opiniões definitivas (porque é ele quem está a pagar).

Quando o cliente assume o controlo, ou o especialista abdica de o assumir, o que se passa é o mesmo que aconteceria se o doente, ignorante do conhecimento profissional e especializado, cientifico e de boas práticas,  durante a consulta, dirigisse o médico na prescrição: a provável ineficácia absoluta, a total desadequação, a inutilidade, o risco profundo, o perigo gravissimo, enfim, a garantia de um resultado desastroso, pela ignorância total das bases de conhecimento e prática de que o profissional dispõe e o cliente não (e por isso é cliente).

O video exemplifica demonstra-o: