Os padrões de definição da televisão de alta definição (HDTV – High Definition TV) foram estabelecidos. Padrões e regulamentos diferentes, para esse mesmo efeito, estabeleceram-se em diferentes paises e regiões, e por isso é necessário algum cuidado ao interpretar informações ou ao falar sobre o assunto. Nos próximos anos assistiremos a uma proliferação de novas emissões e fontes de televisão. Neste momento assistimos a uma proliferação de siglas, designações e produtos disponiveis no mercado que alegam todo o tipo de suporte para padrões HD (High Definition).

A verdade é que nem tudo é o que parece, e muita confusão é estabelecida por estes produtos, pelas siglas que lhe são apostas e pelas designações comerciais, de algo que sob pontos de vista técnico não deixa duvidas. Mas a própria industria pouco faz para desfazer os equivocos.

Os mercados, pouco exigentes, vão comendo tudo o que se lhes dá, com embrulhos mais ou menos dourados. E a frouxa ou inexistente fiscalização, uma desregrada “globalização”, a ausência de regulamentação, que existiu durante algum tempo e a pouca honestidade tecnica dos actores em palco, deixa passar tudo o que os fabricantes e distribuidores querem vender, mesmo que os regulamentos na UE sejam relativamente mais claros que todos os outros, mais exigentes e mais limitativos.

Mas digam isso aos fabricantes e distribuidores, sejam americanos ou dos paises asiáticos, ou até às marcas mundiais, da propria UE, que quando fabricam fabricam para um mercado global, pouco importando as variações regionais… o consumidor é que sofre na ignorância das confusões (tantas vezes intencionalmente)estabelecidas.

O que é HDTV

HDTV é a sigla usada para um conjunto de diferentes padrões, cada um de âmbito relativamente limitado e regional, de televisão de resolução superior aos sistemas usados até agora designados por NTSC, SECAM, PAL. Os antigos sistemas SECAM e PAL (incluindo o PALplus) usam imagens de 625 linhas enquanto os sistemas NTSC e uma variante de PAL, o PAL-M usam 525 linhas.

Considerações de campo visual e resolução do olho humano, compatibilidade de formatos de imagem entre cinema, televisão e outros meios, incluindo o computador, evoluções da tecnologia dos equipamentos, e outras razões, das quais a não menos importante foram as considerações da optimização da utilização do espectro rádioelectrico, levaram a considerar que esta resolução é inadequada e demasiado baixa para o que se pode fazer hoje em dia.

Os novos padrões de HDTV são constituidos por diferentes especificações que não se reduzem (nem por sombras) à resolução de imagem, e vão desde as puramente técnicas, a especificações de processos e suporte de transmissão e difusão, outros apenas de natureza comercial e finalmente de protecção de direitos e encriptação de sinal. 

Entre as especificações técnicas da imagem encontram.se, por exemplo, a resolução de imagem (numero de distintos pontos que constituem a imagem final) do sinal e dos equipamentos terminais (um sinal de alta resolução pode ser mostrado a mais baixa resolução num aparelho de televisão que não suporte totalmente a alta resolução), numero de quadros (imagens) por segundo, formato de reconstrução (interlaced ou progressive). Quanto a especificações de transmissão e difusão, as especificações incluem formatos do sinal (digital, analógico), tipos de sinal e natureza da modulação/codificação, e formatos e algoritomos de codificações e compressão. Finalmente sob um ponto de vista de definições comerciais e de protecção de direitos, as especificações incluem a definição de siglas e nomes a usar comercialmente, limites técnicos para a certificação de equipamentos e redes, formatos, processos e algoritomos de codificação de sinal, limites de descodificação, formas de taxação, etc.

Assim o termo Alta Definição, ou a sigla HD ou HDTV, pode ser aplicado quer ao proprio formato e resolução da imagem, ao sistema de transmissão e difusão, aos aparelhos de televisão por si, a aparelhos de DVD capazes de suportar certas resoluções… enfim…a quase qualquer elemento da cadeia. E o pior é que tem significados diferentes em cada ponto.

O contexto

Com excepção dos formatos analógicos inicialmente adotados na Europa e Japão, o HDTV é transmitido digitalmente e por isso a sua implementação geralmente coincide com a introdução da televisão digital (DTV). No entanto é importante salientar que a relação entre as duas tecnologias é apenas coincidente (ainda que haja razões técnicas para as associar, e é o que está a acontecer na Europa com os recentes padrões adoptados).

De notar também que o aparecimento de novos suportes opticos, como o novo standard que substituirá a curto prazo o DVD, e designado por Blue-Ray possibilita o suporte de maiores resoluções (pela maior quantidade de dados que é possivel armazenar), e que por esta razão esta é outra das razões que impulsionam ageneralização da HDTV.

O desenvolvimento desta tecnologia foi lançada inicialmente nos EUA durante a década de 1990 por um consórcio envolvendo AT&T, General Instrument, MIT, Philips, Sarnoff, Thomson e Zenith. Noutros paises desenvolveram-se padrões distintos, ainda que com algumas caracteristicas e actores comuns. Os padrões mais importantes sendo sem duvida o Japonês e o Europeu, que relativamente ao americano têm a caracteristicca de serem concebidos para difusão analógica e não para DTV, ainda qua na prática possamos assistir à sua implementação em digital .

Algumas caracteristicas técnicas

A HDTV tal como estabelecida actualmente passa por um conjunto de caracteristicas comuns importantes Apesar das importantes diferenças, os padrões HDTV atuais são definidos pelo ITU-R BT.709 como sendo 1080i (interlaced), 1080p (progressive) ou 720p (progressive) usando uma proporção de ecrã de 16:9.

Os numeros 1080 ou 720 referem-se ao numero de linhas de um quadro de imagem. A imagem completa é definida como tendo uma resolução de 1920 x 1080 ou 1280 x 720 (pontos por linha x linhas por ecrã) e numa relação ou formato de ecrã de 16:9 (a largura da imagem são 16/9 da altura).

As letras i ou p referem-se à forma como a imagem é transmitida, codificada ou construida: i para interlaced scan e p para progressive scan. Numa imagem em progressive scan, todas as linhas de uma imagem são transmitidas em sequencia; numa imagem em interlaced scan as linhas de uma imagem são transmitidas alternadamente, primeiro as impares, depois as pares, e a imagem reconstruida pelo olho humano que não detecta a alternância rápida ou pelo proprio ecrã que por limitações de rapidez de resposta (latência) acaba por manter em simultâneo todas as linhas visiveis. No entanto note-se que se as resoluções de ecrã são as mesmas num e noutro caso, a quantidade de linhas transmitidas por unidade de tempo é metade no caso de uma imagem interlaced (ver Wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Progressive_scan e http://pt.wikipedia.org/wiki/Interlaced_scan).

Por esta razão, e na realidade a qualidade de imagem é decrescente na seguinte sequencia: 1080p, 720p, 1080i !

 

Tamanho e Resolução do ecrã vs. Distância do espectador

As diferentes resoluções possiveis têm limitaçoes obvias (como em todos os outros casos), a partir das quais se passa a notar a falta de resolução (mesmo sendo de alta qualidade). Os factores que determinam esta detecção são a resolução do ecrã/imagem, o tamanho do ecrã e a distância a que o espectador está do ecrã. Para se conseguir detectar as deficiencias de resolução, o ecrã tem que ter um tamanho suficientemente grande e o espectador tem que estar sentada a uma distância suficientemente perto.

Baseando-nos na capacidade do nosso olho, é possível criar um gráfico que relaciona as diversas variáveis permitindo a avaliação de qual o ponto a partir do qual a qualidade da resolução passa a ser percebida.

A capacidade de resolução de um olho humano, com visão 20/20, permite resolver 1/60 de um grau de arco. Assim, é possível avaliar qual a capacidade de detectar a resolução de uma imagem. É isso que é feito no gráfico seguinte que mostra a relação entre a distância ao ecrã (em pés) e a dimensão do ecrã (em polegadas),  para conseguir detectar todos os benefícios de um ecrã de alta resolução. Para as situações ideais, de cada resolução, distância e dimensão,  obtêm-se a mesma qualidade percepcionada de imagem:

Dist_vs_res

O gráfico relaciona o tamanho de ecrã e a distância do espectador com a resolução do ecrã, apontando as zonas de maior benefíco para cada resolução. Este gráfico permite para cada conjunto de condições seleccionar a resolução de ecrã mais conveniente, para que não se note a deficiencia de resolução, nas resoluções mais baixas, provocada por um visionamento demasiado perto ou um ecrã demasiado grande.

Codificação de fonte – MPEG-2 e MPEG-4

Para permitir a transmissão de sinais de alta resolução, usando mais baixa largura de banda, os sistemas de televisão HD, e em geral todos os sistemas de televisão digital, usam sistemas de codificação compressão de imagem e som. Estes são algoritomos que permitem diminuir a quantidade de dados a transmitir e interpretar pelo receptor, nomeadamente porque a imagem televisiva apresenta inumeras redundâncias (informação repetitiva, em excesso ou desnecessária). São exemplo disto os sucessivos quadros em que apenas um dos elementos da imagem se desloca, permanecendo toda a restante imagem estática, ou a deslocação em bloco de toda a imagem, durante um zoom, uma panorâmica ou outras formas de realização em que grande parte da imagem permanece sem alteração entre imagens sucessivas.

Os algoritomos de compressão há muito que são usados sobre imagens (estáticas ou dinâmicas) e sons digitais (o conhecido mp3 é um exemplo) e o seu desenvolvimento permitiu elevados niveis de sofisticação, primeiro para uso em computadores pessoais, depois para aplicações mais profissionais (viagens espaciais, medicina, etc), depois para a internet e para os suportes digitais de imagem (CD-video, DVD, etc.) e, finalmente, para a televisão digital e de alta definição. A norma de compressão usada hoje em dia na televisão digital e de alta definição é o MPEG-4/H.264 mas é longa a história dos sistemas de compressão.

O MPEG-2

mpeg2_logoEm 1995 foi introduzida  a norma MPEG-2, desenvolvida pela Moving Pictures Expert Group, para compressão e transmissão de sinal digital de televisão. O MPEG-2 sucedeu à norma MPEG-1, cujo objectivo consistia no armazenamento de vídeo digital a uma qualidade semelhante à do formato VHS. A norma MPEG-2 surgiu com o propósito de estabelecer as técnicas de compressão e codificação associadas à difusão de televisão. O MEPG-2 foi a primeira compressão/codificação a ser usada em HDTV, tendo vindo a ser substituida pelo MPEG-4 (ver abaixo)

As principais características do MPEG-2 resumem-se a:

  • Compressão de vídeo compatível com MPEG-1 (MPEG-2 é um superset de MPEG-1)
  • Apresentação da imagem na forma entrelaçada ou progressiva, com diferentes resoluções e níveis de qualidade.
  • Vários modos de codificação de áudio (Alta-qualidade, Estéreo, Mono)
  • Multiplexagem – permite a junção de vários fluxos de MPEG num único

A norma MPEG-2 é dividida em três partes principais:

  • Parte 1 – Especifica como é efectuada a multiplexagem dos sinais de áudio, vídeo e dados, num único bitstream
  • Parte 2 – Estabelece as técnicas de codificação e compressão do sinal de vídeo.
  • Parte 3 – Estabelece as técnicas de codificação e compressão do sinal de áudio. 

A norma MPEG-2 – parte 2 suporta uma gama elevada de perfis e níveis. A cada perfil é atribuído um grau de qualidade (Simple, Main, SNR Scalable, Spatially Scalable, High) que depende do tipo de tramas utilizadas (I, P ou B) e do formato de crominância (4:2:2 ou 4:2:0). A cada nível corresponde uma determinada resolução de imagem e uma gama de frequências de refrescamento. Cada sistema MPEG-2 é utilizado num conjunto de perfis com diferentes níveis. Uma transmissão HDTV utiliza o formato MP@H-14 (Perfil: Main Profile; Nível: High 1440) ou MP@HL (Perfil: Main Profile; Nível: High Level) dependendo da capacidade do suporte de transmissão.

O MPEG-2 – parte 3 permite uma codificação de baixo débito binário de um sistema de áudio multicanal. No total a norma codifica 5 canais de som na banda total, um 6º para frequências baixas, com a possibilidade de adicionar um 7º canal codificado noutra língua.

Veja mais em
http://en.wikipedia.org/wiki/MPEG-2

O MPEG-4 ou H.264

h264_logoEm 2003, surge a norma MPEG-4 /AVC ou H.264 para compressão e codificação de vídeo que vem substituir o MPEG-2 – parte 2 nos principais sistemas de transmissão de televisão digital. Devido a uma eficiência de compressão bastante melhorada em relação ao MPEG-2 – parte 2, esta norma permite a transmissão de televisão de alta-definição a débitos mais baixos, sem perda de qualidade [4].

Tal como o MPEG-2, a norma H.264 é uma “família de normas”, na medida em que é constituída por um conjunto de perfis, sendo aceite que um determinado descodificador “entenda” apenas um ou alguns perfis. A cada perfil podem estar associados diversos níveis. A cada nível corresponde uma gama de resoluções e débitos binários diferentes (permitindo também diferentes resoluções, larguras de banda e qualidade de imagem e som). No caso do HDTV utiliza-se, tipicamente, o perfil High no nível 4 (high profile @ level 4).

Para um sinal HDTV com uma resolução de 1920×1080, varrimento entrelaçado e frequência de refrescamento de 25Hz, o MPEG-2 apresenta um débito binário de 12 Mbits/s para uma qualidade da luminância de 35dB, por sua vez o MPEG-4 /AVC apresenta um débito binário de 6,5 Mbits/s para uma qualidade semelhante.

Uma das consequências do uso de processos de compressão e codificação da imagem é que o resultado final de uma imagem em HDTV é também fortemente dependete da qualidade e velocidade de processamento MPEG-4 do aparelho receptor.

Sobre MPEG-4 e H.264 ver
http://en.wikipedia.org/wiki/H.264

Para mais, sobre o assunto, ver
 Moving Pictures Expert Group
Moving Pictures Expert Group na Wikipedia
http://www.mpeg.org/

Uma certa confusão comercial e gráfica

Que dirá um consumidor quando vir estes logos colados em aparelhos, ou espalhados por catálogos, especificações técnicas ou data sheets? E que significam eles? Pouco! Alguns são pura fantasia; outros nunca ninguém os regulamentou… e outros não correspondem ao que anunciam! Tenha cuidado e não se deixe confundir!

  

 

 

 

  

   

 

 

Confuso? Pois… todos estamos.

A situação é agravada pela grande disponibilidade de fabricantes de componentes, sub-montagens e fornecedores de tecnologia; como resultado nenhum consumidor sabe realmente quem fabricou o quê, e com que especificações. Grandes marcas,  que fizeram a sua reputação com televisores de CRT, ou pequenos fabricantes de monitores, empacotam tecnologia de terceiros em coisas que chamam televisores HDTV. empacotam paineis de LCD fabricados para computador, com processadores de HDTV…  e depois “não bate a bota com a perdigota”… certos fabricantes compram a tecnologia a fabricantes de componentes que não cumprem as especificações finais de HDTV porque, como fabricantes de componentes, não necessitam de o fazer… e depois basta colar um autocolante no aparelho, para o venderem.

Compativel? Ready? Full HD?

Bom…alguma coisa foi definida…

HDReady – Para poder ter um logotipo HD Ready um aparelho tem que ser capaz de suportar sinais HD de entrada e poder processá-los; adicionalmente tem que os poder apresentar no formato apropriado (widescreen ou formato 16:9). Especificamente apenas tem que cumprir as seguintes especificações;

  • Uma resolução nativa minima de 720 linhas com um racio de 16:9
  • Entradas de video HD quer em formato analógivo quer num dos standards DVI ou HDMI
  • Entradas de sinal capazes de tratar as resoluções de 1280×720 a 50 ou 60Hz em formato progressivo (720p) e a 1920×1080 a 50 e 60Hz interlaced (1080i)
  • Pelo menos uma entrada DVI ou HDMI que suporte HDCP.

Simplesmente isto não significa que os apresenta na sua resolução total e muito menos que o processamento vai aproveitar toda a informação video e qualidade do sinal HD. A resolução de ecrã pode ser menor, o processamento pode ser feito com menor resolução, os algoritomos de compressão usados podem perder informação video, e uma infinidade de outros problemas podem ser encontrados… desde que consiga apresentar uma imagem quando o sinal é HDTV, um aparelho pode usar o logo HD Ready! Assustador? Mas é verdade!

HD Compatible significa que o dispositivo é ainda pior!!! O dispositivo pode aceitar sinais HD signals (eg via HDMI, DVI, VGA ou ntrada de componentes), mas não cumpre os minimos para a apresentação de imagem (o formato de ecrã é 4:3, a resolução é menos do que a exigida para 720p, apresenta uma imagem fora da dimensão – o que acontece quando os processadores não conseguem processar correctamente os sinais HDTV). A quantidade de aparelhos presentes no mercado que deveriam de facto ter esta classificação é assustadoramente alta…

Full HD – Só poderá usar esta designação o aparelho que cumpra todos os requisitos anteriores e adicionalmente possa apresentar as imagens com toda a sua resolução nativa, possam processar todos os sinais adicionais da definição de HDTV digital (legendagem, canais de info, etc). O problema é que as caracteristicas minimas não estão definidas em lugar nenhum de forma completa e clara.

O poder de processamento

Pelo facto de muitos dos dispositivos (como ecrãs e paineis planos TFT) usarem resoluções diferentes, com por exemplo 1280 x 720/768/800 (com origem no standard WXGA dos monitores de PC) 1024×768 (XGA, com origem nos PCs), 1366×768 (comum nos televisores normais de flatpanel, incluindo plasmas e TFT’s ) e 1920×1080 comum nos paineis planos de grande dimensão (incluindo plasmas e TFT’s) muitas conversões de formato e resolução tem que ser actualmente feitos para que no final a imagem possa ser apresentada. Isto exige poder de processamento, algoritomos poderosos de conversão de imagem, e em qualquer caso uma perda apreciável (maior ou menor, de qualquer modo) da qualidade final da imagem.

E apesar de ser comummente aceite que se processarmos uma imagem de maior resolução, para a apresentar num ecrã de menor resolução resulta sempre numa imagem de boa qualidade, isto não é verdade, e a conclusão não é linear: Tudo depende da qualidade do processamento efectuado, dos algoritomos usados e da rapidez com que pode ser feito; é que se isso é fácil fazer para imagens estáticas, já o mesmo não é verdade para imagens em movimento, comprimidas, com conversão de frequência de scan, com conversão entre progressive e interlaced ou vice versa… Mas outros factores influenciam a necessidade de boa capacidade de processamento.

Já agora, refira-se que, se nada mais fosse causa de falta de qualidade, fazer o up-scale e down-scale de uma imagem exige processamento pixel a pixel, desprezando ou inventando informação, segundo processos matemáticos elaboradissimos, complexos e que em qualquer caso obrigatóriamente levam a perda de informação ou a uma situação em que deve ser “criada informação”. Isto é obvio. Que informação de imagem perder ou criar, são decisões que alteram significativamente a qualidade final. Qualquer um pode entender isto.

Mas refira-se ainda que também se pode entender que converter entre imagens interlaced e progressive pode ser um processo que exige armazenamento e movimentação muito rápida de quantidades imensas de informação, principalmente se pensarmos que estamos a falar de um processo que tem que ser repetido à razão de 50 ou 60 vezes por segundo (50Hz ou 60Hz conforme o frame rate do sistema em causa). E pior ainda é movimentar toda esta informação entre processadores diferentes, dentro do aparelho, através dos buses digitais… a largura de banda é obtida por verdadeiras obras de arte da engenharia. Não se pense que engenharia de vão de escada faz isto com facilidade.

De facto, uma das principais caracteristicas que determinam a qualidade um televisor HDTV é aquele que nunca é especificado: a capacidade de processamento, e largura de banda dos bus internos e dos processadores digitais, que ele contém. Mas também a qualidade dos algoritomos usados. E já agora… como se poderia especificar tudo isto de modo que um consumidor pudesse entender???

Algumas explicações simples e acessiveis estão presentes em http://simplytec.co.uk/learningzone/hidef.htm. Vale a pena passar por lá.

Cabos, fichas e largura de banda

Um aspecto importante a ter em conta com a HDTV é que sinais de maior resolução exigem maior largura de banda. Na prática isto é apenas um principio fisico: mais informação necessita de ser transmitida, e isso gasta largura de banda. Por essa razão, e na prática,  esqueça todos os cabos que conhecida: eles não suportam integralmente a largura de banda necessária; nuns casos pelas suas caracteristicas intrinsecas,noutros casos pelos “atalhos” que os fabricantes usam na sua concepção e montagem, noutros casos porque a electronica associada não está à altura.  Uma difiuldade adicional é que muitos dos sinais de HDTV disponiveis são agora sinais digitais, e os cabos de video disponiveis anteriormente foram concebidos para interfaces analógicas.

Como resultado de tudo isto, foram definidas novas cablagens que suportam vários aspectos que era necessário considerar: transmissão digital, maior largura de banda, imunidade a ruido, facilidade de ligação, etc.

Para ligar aparelhos HDTV as cablagens mais usadas são as seguintes: 

HDMI – A cablagem HDMI (High-Definition Multimedia Interface) é uma cablagem de Video digital que suporta video não comprimido em alta resolução e

foi concebida expressamente para a ligação de periféricos como leitores de DVD, Blue-Ray, Set-Top-Boxes, receptores de AV, etc. Inclui todos os sinais de video e som e é parcialmente compativel com os sinais das ligações DVI.

hdmiO interface HDMI suporta num unico cabo qualquer sinal digital conhecido de TV, formato de video de PC ou de consola de jogos, incluindo as resoluções standard de televisão, computador e HDTV; o cabo suporta ainda até 8 canais distintos de audio digital e um interface adicional de comando de dispositivos (que permite que certos aparelhos comandem outros através deste cabo) chamado Consumer Electronics Control (CEC) connection

Dada a compatibilidade entre sinais electricos, um conversor de DVI a HDMI e vice versa não apresenta qualquer perda de sinal ou degradação de qualidade.

Mais em http://en.wikipedia.org/wiki/High-Definition_Multimedia_Interface

A male DVI-D (single link) connectorDVI – Digital Visual Interface (DVI) é um interface video digital, standard, que foi desenhado para video de elevada qualidade em ecrãs de alta-definição, incluindo ecrãs de computador, projectores de video e paineis de LCT/TFT ou plasmas . O DVI foi desenvolvido e é mantido por um consórcio da industria designado por Digital Display Working Group (DDWG). Foi concebido para transmitir sinais digitais de video de alta qualidade para qualquer tipo de display, incluindo monitores de computador, mas suporta também sinais analógicos de alta qualidade.

Os sinais DVI são parcialmente compativeis com (HDMI) no modo digital (designado por (DVI-D) e com sinais VGA quando usado no modo digital (DVI-A). DVI-HDCP é uma variante de utilização do DVI, para HDTV.

Mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Visual_Interface

Component video ou Video componente  é um sinal de video que foi separado em dois ou mais componentes (por oposição a video composto, em que todos os sinais são compostos num unico sinal de linha). O nome aplica-se geralmente a sinais em que os sinais de video de Verde, Azul e Vermelho estão separados em três sinais distintos e os sinais de sincronismo estão geralmente codificados num deles. No seu uso corrente aplica-se a um sinal do tipo YPbPr, que exige três cabos, com sinais de sincronismo codificados no sinal de luma. Esta ligação usa cabos e fichas RCA, e para HDTV convém tê-los de boa qualidade e devidamente blindados.  A ligação de Video Componente não inclui som, pelo que geralmente se adicionam os cabos de audio.

Dada a largura de banda que estes cabos podem suportar (e a sua divisão por três cabos) são usados com sucesso para sinais de HDTV.

Mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Component_video

Vamos agora às ligações que mesmo que apareçam em alguns aparelhos HD são inapropriadas e não devem ser usadas:

 SCART ou EuroVA – As ligações SCART ( de Syndicat des Constructeurs d’Appareils Radiorécepteurs et Téléviseurs) também conhecidas por EuroAV, Euroconector ou Peritel (nome por que é conhecido apenas em França), uma ligação de 21 pinos que inclui vários sinais de som e video, com possibilidade de circulação nos dois sentidos, foi concebida para a ligação analógica de aparelhos audiovisuais ainda no tempo das resoluções mais baixas. 

Não pode ser usada para sinais digitais e a largura de banda disponivel, pelas suas caracteristicas fisicas como cabo, mas também pelos standards de sinal que lhe estão associados) não permite a transmissão de imagens HD em alta resolução, provocando apreciáveis perdas de qualidade. Pode ser usado para pequenos equipamentos, em que de qualquer modo a qualidade de imagem disponivel com a HDTV seria sempre excessiva, e a perda de qualidade é menos perceptivel. De qualquer modo evite, a não ser que esteja a usar uma fonte de sinal video de baixa qualidade (o seu antigo VCR ainda funciona?).

Veja mais em http://en.wikipedia.org/wiki/SCART

S-Video – As ligações S-Video (Separated Video) apresentam um cabo unico, com 5 pinos (existem também em versões de 7 e 9 pinos, em mini DIN, para utilizações especificas, como por exemplo nos velhos sistemas U-Matic ou em certas câmaras de video) em que os sinais de Luminance e Color são apresentados em separado e foram concebidas para video analógico de média resolução. Não contém sinal de audio. Foi concebido para enviar imagens de computador, mas encontrou utilização generalizada no video analógico, devido à sua comodiade de ligação pelo facto de apresentar um unico cabo para imagem.

Dada a facilidade de conversão para composite video (basta somar os dois sinais de Luminance e color) são ligações que se podem usar com muitos aparelhos. Já a dificuldade de converter S-Video ou composite video, para sinais componentes (separa os sinais das diversas cores a partir de um sinal que contem todas as cores) torna a conversão inversa mais dificil.

A largura de banda disponivel nesta ligação é inapropriada para HDTV. Não use, excepto se não tiver outra hipotese. De qualquer modo nenhum aparelho HDTV lhe vai oferecer esta opção.

Ver mais em http://en.wikipedia.org/wiki/S-Video

Video Composto – ou Composite video é o formato de um sinal de televisão analógica (apenas imagem) antes de ser coombinado com o sinal de audio e modulado na portadora RF .

O sinal de Video Composto está usalmente num dos formatos PAL, NTSC ou SECAM, e é constituido pela composição de três sinais designados por YUV, juntamente com sinais de sincronismo, em que Y representa a luminância (brilho) e o U e V representam hue e saturation respectivamente (contendo no conjunto dos dois a informação de côr ou seja um sinal designado por crominância ou croma).  O sinal de luminância pode ser representado directamente num apareçlho a preto e branco, enquanto os sinais de côr são aproveitados apenas pelos aparelhos a cores. A composição dos sinais é feita usando luminância na banda base e os sinais de crominância modulados em quadratura (fase ortogonal) sobre numa portadora, permitindo a sua fácil separação.

Repare-se que os sinais presentes no S-Video, já referido, não é mais que que um sinal composite antes da combinação de Luminância e Crominância.

Pelas limitações da propria modulação, pelas caracteristicas  analógicas, e pela largura de banda dos cabos usados não é apropriado para HDTV, ainda que nada impeça que a introdução de melhorias possa vir a permitir usar um formato semelhante para HDTV.

Ver mais em http://en.wikipedia.org/wiki/Composite_video

 

TEXTO EM CONSTRUÇÃO

http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Visual_Interface

http://en.wikipedia.org/wiki/High-Definition_Multimedia_Interface

 

Padrões de televisão digital (MPEG-2): ATSC • DVBISDBDMB-T/H

Padrões de televisão digital (MPEG-4 AVC): DMB-T/HDVBISDB-TB/SBTVD • ISDB (1SEG)

Sinais ocultos: Closed CaptionTeletexto • (CPCM/Broadcast flag) • AFDEPG

Cinema digital: Cinema digitalUHDV (2540p, 4320p) • DCI

Digitais de Alta Definição

  • ATSC (USA, Canada, México, Advanced Television Systems Committee)
  • DVB (Europa, Digital Video Broadcasting)
  • ISDB (Japão, Integrated Services Digital Broadcasting)
  • ISDB-TB (Brasil, Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial Built-in)

Analógicos (antigos)

  • MAC (Europa)
  • MUSE (Japão sistema analógico de HDTV)
  • NTSC (Eua, Canada, Japão, Coréias, parte da América do Sul)
  • PAL (Europa, Ásia, Austrália, etc.)
    • PALplus (PAL com maior definição – Europa)
    • PAL-M (PAL desenvolvido com características do NTSC – Brasil)
  • SECAM (França, ex-USSR, parte da África Central)

 

Referências

http://www.lcs.poli.usp.br/~gstolfi/ptc2547downloads.html
Vídeo de Alta Definição
HDTV