O edificio ergue-se estranho e provocador junto ao rio. Os reflexos metálicos, sobre as placas de titanio que o cobrem, assumem ora os tons cinzentos do céu, ora os dourados de um sol poente, ou os azuis da água que o ladeiam e do céu nos dias descobertos. As formas exuberantes surpreende, e o desenvolvimento em ondas de novos volumes espanta.

fO Museu Guggenheim Bilbao não é um edificio qualquer. Frank O. Gehry, arquitecto americano que foi autor de obras em todo o mundo, tão marcantes como  Walt Disney Concert Hall no centro de Los Angeles, a Casa Dançante em Praga, na República Checa, e sua residência particular, em Santa Mônica, California, os quais marcaram o início de sua carreira, ou outros como o Centro Stata, o Vitra Design MuseumExperience Music Project em Seattle, ou o Weisman Art Museum in Minneapolis.

Frank Owen Gehry, (batizado Ephraim Owen Goldberg), nasceu em Fevereiro 28, 1929, Toronto no Canadá, e é de origem Judia/Polaca. Gehry é um arquitecto detentor do Pritzker Prize, e cedo migrou para Santa Monica em Los Angeles, onde reside, e por isso detém as duas nacionalidades: americana e canadiana.
 

A arquitectura  de Frank Gehry


Experience Music Project em Seattle

 


Weisman Art Museum, em Minneapolis 

 


Casa Dançante em Praga  

 


Centro Stata, (MIT), Massachusetts 

 


Walt Disney Concert Hall em Los Angeles 

 

Tendo-se mudado para Los Angeles, trabalhou como motorista de camião, tendo-se inscrito no Los Angeles City College, onde acabou por se graduar na  escola de arquitectura da University of Southern California (USC) em 1954. Após isso passou por vários empregos, incluindo as forças armadas americanas. Estudou ainda urbanismo na  Harvard Graduate School of Design durante um ano, abandonando antes de completar o curso.

Gehry é geralmente considerado um arquitecto desconstrutivista. O desconstrutivismo (DeCon) é referido frequentemente como post-estruturalista em natureza pela sua capacidade de ir além das modalidades correntes de definição estrutural. Em arquitectura a sua aplicação parte do modernismo no seu criticismo dos objectivos sociais e necessidades funcionais, como heranças culturais. Por estas razões, as estruturas DeCon, não tentam reflectir ideias sociais ou universais, e não sentem a necessidade de definir a forma como reflexo da função. Esta é a corrente em que Gehry se enquadra, e a sua própria residencia em Santa Monica é frequentemente citada como O exemplo da corrente DeCon na arquitectura, e a sua forma é tão divorciada do seu contexto original e funcional, que chega a subverter os seus conceitos espaciais originais. Gehry é associado a uma hipotética “Los Angeles School,” também chamada “Santa Monica School” de arquitectura, a que se associam também nomes como Eric Owen Moss,  Thom Mayne, bem como escolas reais de arquitectura e design como o Southern California Institute of Architecture (de que Thom Mayne foi co-fundador), UCLA, e a USC.

O estilo de Gehry’s é caracterizado por formas curvas, aparentementemente desadaptadas do contexto e da função, rompendo mesmo com o contexto, muitas vezes parecendo construido por agregação, com a aparencia de inacabado, mas de uma extrema harmonia. Na prática as abordagens são consistentes com o movimento californiano da ‘funk’ art nos anos 1960 e inicios de 1970s, que patrocinava o uso de materiais de baixo custo e recuperados (muitas vezes em sucatas) como o ferro, aço, chapa, barro e madeiras usadas. Gehry usa frequentemente metais, revestimentos de chapa e materiais metálicos ou com aparência metálica (em Bilbao todo o revestimento é efectuado em titânio), mas revela-se também em pontos fundamentais um conhecedor de materiais mais nobres, bem como de técnicas construtivas mais elaboradas, conjungando tudo em obras ao mesmo tempo desconcertantes e surpreendentes, mas de extremo requinte de formas, concepção e realização.  

O Guggenheim Bilbao

O Museu Guggenheim Bilbao foi inaugurado em 1997 como parte de esforço de revitalização da cidade de Bilbao, convertendo-se desde logo num centro de atenções para toda a Europa, um local de visita obrigatória em Espanha, e um centro da vida de toda a cidade. O número de visitantes rápidamente ultrapassou os 5 digitos, e o fluxo mantém-se a niveis elevados.

Como edificio marcante que é, e como um centro de apreciação de arte, quer na colecção permanente, apresentada de um modo completamente dinâmico, permitindo que ao longo do tempo todos os seus fundos sejam apresentados, quer nas numerosas exposições temporárias e temáticas, concebidas com critérios ecléticos, permitindo uma visão global da arte do século do XX e XXI e da história da arte em geral.

Externamente, o museu é coberto por superfícies de titânio curvadas em vários pontos, que lembram escamas de um peixe, mostrando a influência das formas orgânicas presentes em muitos trabalhos de Gehry. Do átrio central, que tem 50 metros de altura, e lembra uma flor cheia de curvas, partem passarelas para os três níveis de galerias. Visto do rio, o edifício parece ter a forma de um barco, homenageando a cidade portuária de Bilbau.

O museu recebeu várias críticas desde que começou a ser construído, por apesar de ser um museu de vanguarda, isso se reduzir ao seu exterior, uma vez que as salas de exposição são quase todas iguais a de qualquer outro museu; Ou seja, a acusação é de que se inovou no exterior, mas não na função básica do museu, que é conservar e expor obras de arte. Para outros, porém,  isso é uma das caracteristicas mais marcante desta obra de Gehry. E por ser o museu tão inovador uma crítica que ele recebe é justamente ser, como edificio, mais atraente que as próprias obras expostas. E disso poucas duvidas restam!

Também é muito criticado por seu elevado custo e pelo caráter quase experimental de muitas das inovações usadas em sua construção. A consequencia mais visivel, é que os custos de manutenção e limpeza são bem mais elevados que o normal. A contrapartida é que sendo o próprio edificio uma atracção mundial, ele atrai um fluxo continuo de público que de outra forma dificilmente atrairia.

Para conhecer este extraordinário edificio, sede de um não menos extraordinário museu, nada melhor que uma visita ao local. Bilbau está a dois passos, e uma viagem tão curta vale a pena. Mas felizmente podemos recorrer a uma visita virtual disponivel no site do museu: http://www.guggenheim-bilbao.es/visita_virtual/visita_virtual.php?idioma=es.

Esta visita virtual é, ela própria, um exemplo da qualidade deste museu. Extraordinária peça de webdesign, prazer estético, boa realização web, uma peça de webdesign que reflecte a qualidade do próprio museu. Aliás, esta é a qualidade que o próprio web site do museu tem.

E a que distância está este mundo de qualquer museu português!!!…

Outras obras de Ghery

Todas as obras de Gehry são uma surpresa. Todas rompem com o contexto em que se integram. Todas empurram e torcem a realidade que as rodeiam, conseguindo o seu espaço, a sua integração, e construindo a sua própria realidade. Ficam algumas imagens interessantes, reflexo da essencia do universo de Gehry:

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Referências
Guggenheim-Bilbao
Visita Virtual ao Guggenheim-Bilbao
Frank Gehry
 na Wikipedia
Who is Frank Gehry?
Organization of the artist
“Design by Deception: The Politics of Megaproject Approval.”, Bent Flyvbjerg, Harvard Design Magazine

Livros

 

 

 

Frank O. Gehry: Guggenheim Museum Bilbao