Ninguém quer ter a sua empresa presente na Web com um website ineficaz!

O Problema

Pois a presença na Net, com um website ineficaz, é o que acontece muitas vezes, mesmo sobre sites com belissimos designs gráficos (porém ineficazes, nesse contexto) : erros de layout que dificultam a natural compreensão humana, ignorância, desprezo ou uma pobre aplicação das estruturações hierarquicas, naturais no processo de apreensão de informação, ou dos principios comportamentais da atenção e da apreensão de conhecimento, da leitura e da memorização, reduzida ergonomia, e toda uma panóplia de problemas apenas identificáveis e corrigiveis pelo especialista.

O resultado? Desastroso: um Website que não transmite eficazmente qualquer mensagem aproveitável no imediato pelo leitor, e portanto um desperdicio total de uma oportunidade de comunicação com o potencial comprador, com o mercado… Um bom website só se obtém com conhecimentos multidisciplinares especializados, tal como qualquer outra forma de comunicação. E esse é o risco que se corre na entrega do design de um Website a uma equipa que não disponha desses conhecimentos, ou a um não especialista. Webdesign ou ProgramaçãoWeb não é sinónimo de qualidade efectiva de um website!

Decisões

A questão que se coloca a um Gestor de Projecto Web, quando se lhe propõe o design de um Website é, antes de tudo, como tornar o site efectivo na obtenção de resultados com o leitor web. 

   
  Uma página web com excelente ergonomia e que a análise prática demonstra ter uma total atenção e compreensão por parte do leitor, mesmo o que lá chega desconhecendo o assunto, e o conduz em 92% das vezes à ida à página seguinte. Mero acaso de design gráfico? Ou uso adequado de principios de ergonomia?  

 

Uma boa definição de objectivos para o site, um bom design grafico, e um cuidado com a “usabilidade” são sempre questões a não esquecer.

Mas uma boa concepção do site Web passa por MUITO mais do que isso. A mente humana tem formas de funcionamento que não são obvias, mas que não podemos contornar, padrões comportamentais de atenção, leitura, apreensão e compreensão que são rigidas mas, por apresentarem muitas alternativas, podem ser eficazmente dirigidas, ou simplesmente contrariadas e com isso confundidas.

Uma boa mensagem pode tornar-se incompreensivel por uma má apresentação. O contrário é também verdade.

Webdesign – Principios Cientificos?

O estabelecimento de principios exactos de comunicação na Web é um trabalho quase impossivel porque, em primeiro lugar a psicologia comportamental não tem ainda todas as respostas, e por outro lado, quantas vezes, a criatividade está para além do previsivel e ultrapassa o que antes eram principios estabelecidos.

Mas o estabelecimento de um conjunto de principios gerais fundados na psicologia humana, no estudo comportamental e em caracteristicas da ergonomia de comunicaçao humana é algo que já foi feito. O estudo dos processos de leitura, das sequencias de atenção sobre material gráfico, dos processos de relacionamento espacial, hierarquico e lógico da informação é uma ciencia exacta e com resultados estabelecidos. O seu resultado prático designa-se geralmente por design de comunicação.

A sua aplicação ao design da web é imperiosa e determina absolutamente a linha que demarca um bom design web, de um completamente ineficaz . (Ver referências)

Há eficácia por intuição?

Infelizmente nem todos os webdesigner e gestores de projecto web estão conscientes destes factos. Em muitos casos a aplicação de alguns principios é instintiva. Noutros apenas surge com o acumular de experiencias que acabam por se tornar positivas, mas sem uma base teórica, apenas porque funcionou.

Um exemplo do uso positivo destes estudos, ocorre na publicidade, onde o custo impõe uma maior eficácia, justificando claramente maiores equipas, e mais acumular de know how. Mas acontece que, mesmo com linguagens e objectivos diferentes, comunicar gráficamente obedece sempre ao mesmo conjunto de principios e constrangimentos: é que eles de facto estão na mente humana a que a comunicação se dirige.

Na Dreamfeel a nossa experiência,  com a comunicação graáfica e digital, levou-nos considerar este um assunto de primordial importância, e a estabelecer como pressuposto primordial o estabelecimento de um conjunto bem definido de principios de comunicação digital e web.

Estudos Cientificos

Estes principios são fundados em estudos profundos já existentes, alguns efectuados para outros sectores, mas aplicáveis genéricamente na web (processos de leitura, estudos gráficos da comunicação impressa, layouts de publicidade, padrões de atenção, padrões de reconhecimento de imagens, etc.) que se mostraram extremamente efectivos.

De facto nada pode ser deixado ao acaso, ou a meras opões estéticas, e cada projecto tem que ser abordado com uma atitude aberta e criativa, mas as mesmo tempo bem fundada nos principios estabelecidos da psicologia da comunicação, fundados no estudo do comportamento humano, eliminando sistemáticamente todos os erros básicos de layout, dirigindo a atenção do cybernauta, correspondendo à sua psicologia e proporcionando, a partir de um design original, uma experiência web natural e completamente eficaz no atingimento pleno dos objectivos do proprietário do site.  

Mapa da fixação de olhar num website de duas colunas. Estudo efectuado com seguimento do olho na leitura do site (Universidade Estatal de Wichita)
1-Visualização das colunas (esquerda) 
2-Busca de assuntos nas colunas (direita). O circulo indica a localização exacta do texto pedido na busca.

Estes estudos de comportamento do olho e da processo de leitura , pesquisa e fixação (eye scanning patterns) são já estudos profundos e conclusivos, reprodução dos efectuados em muitos outros casos e situações, como leitura de imprensa, de livros, de cartazes,  layout de publicidade, etc. O processo cientifico destes estudos permite tirar conclusões seguras, e orientadoras de principios de design  e ergonomia gráfica.

Mapa de percursos de olhar, nas mesmas situações
1-Visualização das colunas (esquerda)
2-Busca nas colunas (direita).
 

Poucos profissionais tomam consciencia de aspectos relativos às sequencias de percurso do olhar sobre uma página, ou um site, e aos elementos que fixam a atenção a apreensão e a compreensão; mas mais importante ainda: a memorização.

Esquemas de atenção e leitura

Um esquema de atenção numa página não é tão linear como se pode pensar. A visão humana e a interpretação visual exige contexto. O olho e a mente não seguem um trajecto linear sobre a mancha de texto, nem a atenção é uniforme e sequencial sobre cada elemento grafico. Numa visão mecânica do funcionamento do olho durante a leitura de elementos gráficos verifica-se que a interpretação é fraccionada e por agregação, diferentes partes contribuem agregadoramente para a compreensão e apreensão, a visão busca periódicamente referências fora do conteudo que analisa, o centro de interesse oscila entre vários elementos, e em resumo segue processos  que nem sempre são lineares. Mas há padrões que se repetem.

A análise e interpretação de uma página gráfica podia ser descrita, com base elementos bem estudados e identificados, da seguinte maneira:

1. A face humana é, acima de todos os elementos gráficos, aquele que a mente mais imediatamente reconhece  e memoriza, e até subliminarmente o faz. Esse é, portanto, o elemento de atenção inicial (e final) em qualquer mancha gráfica, e o que mais fixa todas as atenções;  

2. Depois uma qualquer ilustração fotográfica, com um objecto reconhecivel como uma unidade conceptual (um carro, uma máquina, um livro, uma casa), é o elemento grafico que logo depois estabelece definitivamente a prioridade da atenção. Mas não serão se estiverem imediatamente junto ao elemento principal, pois a mente humana procurará referências de diferente natureza antes de voltar aos elementos fotográficos, e só receberão atenção após uma rápida busca de outro elemento secundário, num aparente retorno a elementos fotográficos.

3. Titulos e unidades de texto que se destaquem claramente como uma unidade independente (parágrafos isolados, caixas de texto, colunas centrais, etc…são os elementos seguintes.

4. Os esquemas ou grafos, infografias ou graficos, simples e directos, iconicos ou em formato de mapa ultrasimplificado, é o elemento que se segue na sequencia de busca mental de informação de referência para a compreensão de uma página.

5. A existência de certas palavras em título, destaque ou legenda, determina a regra seguinte de percurso e atenção numa página.

6. A atenção dirige-se depois para a compreensão de um ou vários parágrafos de texto, a qual é determinada pelas duas ou três palavras iniciais duas ou três finais, e pela maior palavra/expressão reconhecivel num centro lógico (não rigorosamente o centro geométrico) da mancha do texto (nuns casos este centro lógico situa-se ameio da mancha, noutros situa-se aproximadamente a 1/3 da mancha).

A atenção vai alternando entres pontos e alguns elementos contextuais marginais, textuais ou gráficos, e mais destacados no layout geral, ou que não se enquadrem numa lógica de corpo da página; a visão periódicamente busca elementos adicionais e de referência em elementos que se destaquem, separados e distintos da àrea em analise, independentemente da sua relevância para a informação principal (barras laterais, menus, caixas de chamada, ou elementos animados laterais) .

Este esquema exemplificativo da sequencia de atenção numa página hipotética, pode ser acrescentado de inumeros outros elementos, mas isso pode ser objecto de extensissimos estudos que não cabem num blog. Mas mostra a não linearidade do funcionamento da interpretação de uma página web.

Estes e outros fenómenos semelhantes determinam a primeira abordagem do leitor a uma página, e estabelecem a sequencia de atenção e leitura (ou de não leitura) dos elementos presentes. Uma hierarquia dos elementos é estabelecida deste modo, logo numa primeira visualização. Sabemos controlar esta hierarqueia quando produzimos um layout? E se não sabemos, estaremos preparados para sofrer as consequencias?

Compreendemos como lemos?

Qualquer texto pode ser escrito com palavras aparentemente incompreensiveis, constituidas trocando a ordem de todas as suas letras dentro da palavra, excepto a primeira e a ultima de cada uma: a mente não lê letras e sequencias, mas sim padrões. Acreditam? Leia o texto abaixo. A principio é dificil. Mas rápidamente a mente humana se adapta e a leitura torna-se imediatamente instintiva:

Qulaueqr tetxo pdoe ser copmedrenido plea metne hanuma msmeo qduano a oredm itnnera das lteras, drnteo das pavlaras, é tocrdaa. De fatco o cérbreo hamuno em vez de senuqecias exctacas de lartes renhcoece, na liutrea, cunojntos de ltreas, orndedaos enrte a pmrieira e a uimlta de cdaa pavrala indvuaidil. Etse txeto é uma povra dsiso

Abordagens profissionais de WebDesign

Estudos serios sobre tudos estes aspectos existem, e devem incorporar os principios de design web, como o fazem ao incorporar os principios de toda a comunicação. É isto que tem sido feito? Nem sempre. Mas alguns são incorporados como opções instintivas dos designers web…outros nem tanto. Felizmente alguns profissionais já entendem perfeitamente as implicações e necessidade desta abordagem série.

Uma abordagem profissional do design web impõe um conhecimento profundo destes principios da psicologia comportamental, dos processos de atenção e do modo como o ser humano procura, reconhece e absorve informação.  

 

 

Referências

Software Usability Research Laboratory at Wichita State University

How Do Users Browse a Portal Website? An Examination of User Eye Movements
Eye Movement Patterns on Single and Dual-Column Web Pages
Using Eye-Tracking Data to Understand First Impressions of a Website