Três conceitos que nem sempre parecem ter parentesco… pelo menos no nosso país.

O certo é que, por muito que se tente agitar bandeiras individuais, e mesmo que se consiga, os três conceitos acabam por se enredar, por colar, e por se virarem contra quem tenta agitar cada um por si. Inovar não funciona se se reduz a reconduzir o obvio, a repor o requentado ou a lançar o tecnológico, sem que com isso se produza uma nova realidade, o novo e o não existente. É que nesse caso não se inova mais do que o decorador de interiores que pensa que é um criador ao colocar uma reprodução rasca  das Três Graças sobre uma parede mostarda, com uma moldura em aço inox… só porque o original está numa parede branca. E já nem me refiro refiro à moldura!…

Dificil não é provar que assim é…dificil é entender, realmente entender, interiorizar realmente, mesmo que se defenda, que o conceito de inovar é incompativel com reconduzir o já feito. E esse tem sido o problema em Portugal.

Quando olhamos o panorama em Portugal, vemos um tecido empresarial, um conjunto de organismos e a a própria administração pública inovando, porque colocam as Três Graças em paredes amarelo mostarda… com caixilhos de aço inox…escovado… e quando nos apontam a excepção…enfim…só nos confirmam a regra.

Eu prefiro paredes brancas, e sobre elas instalar uma original pintura das TRÊS GRAÇAS, sem moldura… Ou paredes mostarda… mas sem GRAÇAS… sem moldura… ou outra coisa qualquer; que venha quem possa inventar outras soluções…

Inovar é, isso sim, patrocinar actos criativos, transformar em consequentes, actos criativos e, em concretizações, actos de design. E para isso é necessário entender quer a criatividade, na sua essencia, quer o design, no seu conceito mais intrinseco, mais do que querer inovação. Tipos de fato cinzento a assinar inovação… enfim…cheira-me a paredes amarelo mostarda. Já se tivessem fatos mostarda… E de facto quando a criatividade empregue, se reduz ao “Oh pá, escreve lá uma sinfonia para a inauguração!” que tenho aqui no orçamento uma verba para musica, e o design se passa no ambito do  “decora-me lá este àtrio com design”, que quero receber aqui ministros, está tudo dito! A inovação fica por isso mesmo: uma sinfonia nova, e um àtrio com design. Já de inovação, tem a mesma do orçamento que lhe deu origem: nenhuma; está orçamentado!

Inovar é criar novo! Inovar é partir de zero e chegar a 99%. Inovar é, com o novo, fazer mais… se calhar, também, fazer design, que se produza. Quando alguém é criativo, claramente produz algo que não se enquadra e não se referencia no que existe. Quando se define inovação, espartilhada em quadros do conhecido (vejam-se os programas públicos de financiamento e estimulo à inovação, para as empresas), o que estamos a patrocinar são paredes amarelo mostarda. E um Botticcelli em cima… emoldurado em aço escovado… E se vamos inovar…”Eh pá, põe aço anodizado, em vez de escovado”… OK…

Já quando se espera da criatividade, que em nada se enquadre, e do design que se defina na própria criatividade, inovação surge por si própria, e fora dos referenciais do conhecido. Estimular a inovação é pois uma opção que em nada se pode referenciar ao existente, mas apenas ao não existente, pela própria definição de inovar, ou seja, criar novo. E se é novo, e não existe, o quadro de avaliação da concessão de estimulos não pode ser referenciado ao que existe, mas tão só ao que não existe, ou seja a um universo de possiblidades não definivel! E note-se que um aparente parodoxo se resolve tão só com a consciencia de que nem tudo tem que vir nas regras, mas sim que muitas regras podem definir apenas o que não é acitável. E fica o pardoxo resolvido… e sem equivoco.

Na prática a diferença é a mesma que entre uma caderno de encargos para fornecimentos público num país anglo saxonico, sociedades em que a criatividade  tem autonomia a recebe desinteressado e sincero mecenato, apenas pelo que é como inovação, e um caderno de encargos português: no primeiro define-se o problema  a resolver, e espera-se a proposta de uma solução criativa; enquanto no segundo se define a priori a solução pretendida, sem qualquer preocupação com problema e sem esperar efectivamente uma solução…inovadora, mas tão só a mesma solução que nunca resolveu o problema, e tornou necessário criar um caderno de encargos, num novo fornecimento. 

E, portanto, quando se pretende inovar, definindo à priori a inovação, talvez se inove… mas sem resolver o problema…isto é, sem inovar.