PREÂMBULO

Posso dizer que tenho ouvido muito disparate? Bom…já disse. “Quem não sabe, não mexe!”, dizia o meu bisavô. Quem não sabe, não fale, digo eu.  Mas vamos ao que interessa? Vamos lá então…

PARTE I

Pergunta: O que é a Web 2.0?
Resposta: NADA! Apenas uma Internet feita por idiotas *), atentos à natureza humana.

Ok… disparate, reconheço! REWIND… (… e que tal agora, com uma postura um pouco mais sensata, OK?)

Pergunta: O que é a Web 2.0?
Resposta: “Nada. Apenas mais do mesmo, mas agora EM BOM **) !”

Uhmmm… de disparate em disparate, até à verdade final. (…parece que uma postura um pouco mais académica não faria mal nenhum! Que achas?). Ok…vamos lá outra vez:

Pergunta: O que é a Web 2.0?
Resposta: “É a MESMA internet! Só que afectada por uma mudança de paradigma: de um paradigma da DIFUSÃO (como dizem os ingleses “bróadqueiste” ***) ), passamos a um paradigma da PARTICIPAÇÃO (como dizem os ingleses “participaichiom” ***) ).”

Estamos entendidos? Infelizmente, temo e presumo que não! (…Eh pah… troca-me isso por miudos! Ok, eu troco… eu até ando vidrado na Maieutica…). “Well…here we go again, with all the details and footnotes, now !”:  Take #4 ..ACTION!!!

Pergunta: O que é a Web 2.0?
Resposta: Básicamente: Não é uma versão 2.0 de nenhuma tecnologia, protocolo, rede, site, software, conteúdo, estatuto ou regulamento (adoro estas definições pela negativa…são mesmo inteligentes…): é apenas a mesma “tecnologia internet” usada de uma maneira diferente (radicalmente diferente), sob o ponto de vista de conceitos, consubstanciados no paradigma que os rege.

Desenvolvendo: Na prática, passamos de uma “antiga” Internet difusora de informação, produzida centralmente por editores dos sites (formato decalcado, portanto, dos media tradicionais – imprensa, rádio e televisão…), a uma Internet participativa, em que os conteúdos são criados pelos próprios utilizadores, e dinâmicamente geridos, alterados, melhorados, classificados, escolhidos, quer de uma forma declarada, quer intrinsecamente pelo proprio uso que lhe dão, o qual, avaliado pelos processos automáticos subjacentes e estatisticos, gera alteração na forma de apresentação, preponderância, visibilidade e classificação desses mesmos conteúdos (Tag-Cloud, Most-Viewed, User Content Classification, SEO, etc.)

E deste modo, além do paradigma da PARTICIPAÇÃO surge naturalmente o paradigma da ENVOLVÊNCIA: cada utilizador sente que faz parte de um todo com o qual colabora e comunica, marca posição, partilha ideias, recebe estimulos e criticas. Enfim, pela envolvência, participar: e participar é fazer parte…termo mágico…de uma rede social

DIALÉTICA? E neste contexto, as redes sociais não definem, portanto, a Web 2.0! São, isso sim, uma consequencia. Mas a discussão deste ponto podia levar-nos a tentar saber se o que nasceu primeiro foi a internet ou ovo (ou galinha, ou lá o que é…). Mas lembremo-nos que Web 2.0 não é outra coisa que “Apenas mais do mesmo, mas agora EM BOM”… e em TEMPO REAL!!!

Estamos entendidos? Infelizmente, temo (e presumo) que não!

Footnotes, for the main body of the article:
*) Idiota – O que, ou aquele, que tem ideias.
**) EM BOM – expressão que indica a versão bem executada de uma qualquer acção, objecto, opinião, conceito, etc.
***) Versões fonéticas das expressões inglesas “broadcast”, “participation” e “trailer”. Depois podemos visionar a “treila” ***) no YouTube ****)
****) YouTube – um site da “internet participativa” (ou Web 2.0!), de partilha de conteúdos video, em que estes são produzidos, fornecidos, classificados, geridos e comentados quase (QUASE!!!) em exclusivo pelos cibernautas (pois….é que, como em tudo, há excepções…e todos sabemos que o motocontinuo não é fisicamente realizável e, no processo, dissipa-se sempre energia ou, dito de outro modo, se não houvesse excepções não servia para manipular nada, e seria inútil e morria!…digo eu!…ou talvez não. E por azar é capaz de ser aí que está a força que faz crescer isso que andamos a ver se sabemos definir e que chamamos Web 2.0!).

 

PARTE II

O termo “Web 2.0” foi criado pela empresa O’Reilly Media, em 2004, como titulo para uma série de conferências. Pretendia, na sua utilização, definir uma mudança nas aplicações internet, referindo-se a uma segunda geração de serviços, que colocam a colaboração dos utilizadores e partilha de informação no centro e no âmago da sua definição, ao contrário da velhinha “presença” e “disponiilização” de conteudos. De título de uma série de conferências o termo torna-se definidor de um conjunto de “sites”/serviços que verificam aqueles pressupostos.

De qualquer modo as vozes criticas contra o uso deste termo são também muitas, e alegam que é nada mais que um mero e vazio truque de “marketing”…cada um vê o que pode, eu diria…

… mas da argumentação da PARTE I deduziriamos imediatamente que nunca uma tão radical mudança de paradigma, é um truque vazio… ou uma operação de marketing! Quem dera aos especialistas de marketing serem capazes de tal…

De facto, o termo refere uma realidade MUITO MAIS profunda que uma mera “mudança de versão da internet”. E nisso o termo é curtinho…

A mudança de realidade a que assistimos é uma RADICAL e completa redefinição do relacionamento do utilizador com a internet, e portanto da relação utilizador/site ou utilizador/serviço.

Na prática o utilizador deixa de ver a internet como um conjunto de sites que difundem informação (tipo biblioteca onde vamos buscar uns livros, tirar umas fotocópias de umas páginas que nos interessam), e que constitui o velho paradigma da DIFUSÃO, e passa a ver a internet como um conjunto de outros utilizadores com quem se relaciona, e com quem PARTICIPA na  CRIAÇÃO de CONTEÚDOS, e que resulta na construção de COMUNIDADES e REDES SOCIAIS virtuais, de gente com os mesmos interesses ou motivações, ou estéticas, ou… e que mais não são que a extensão das redes sociais reais.

Visto do lado dos criadores dos serviços, a mudança de atitude é tão radical, que se definem agora novas “regras de concepção” de sites/serviços ditos Web 2.0 (criamos sempre regras em tudo, não é? Pelo menos assim os menos geniais podem sempre dizer que estão a cumprir as regras…), entre as quais a não menos importante é “desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva”.

A Wikipedia vive dessa “inteligência colectiva”, ao permitir a qualquer um criar ou editar uma entrada numa enciclopédia em constante actualização. O Digg valoriza as sugestões de páginas que têm mais votos, mais cliques e mais links, enquanto o Del.icio.us utiliza um sistema semelhante mas com os favoritos (“bookmarks”) de milhões de pessoas. O Last.FM aprende com as escolhas de musica do utilizador do serviço, e sugere outras peças semelhantes, que o utilizador classifica, aceita, ou recusa, refinando sempre mais o seu perfil… e depois começa a sugerir pessoas com perfis que apresentem proximidade ou pontos de contacto…e quando o utilizador usa os seus “vizinhos” de perfil, descobre novas musicas que nunca iria descobrir de outra maneira…e passa a fazer parte de novos grupos de vizinhos…e tudo isto se vai reflectindo de maneira dinâmica na forma como o utilizador vê o site Last.FM… “H’ve you got it?”

E notemos que estas mudanças não surgem por acaso; e a mudança é tão profunda e envolve tantas outras razões e causas, que assistimos também a algo que diriamos é o espelho deste fenómeno: as redes sociais reais/fisicas, passaram cada vez mais a virtualizar-se, quer como consequência da envolvência nas redes sociais virtuais, quer por outros fenómenos bem mais significativos e importantes; a saber: pela omnipresença das telecomunicações móveis, como meio de contacto permanente, PRINCIPALMENTE para as novas gerações, que desde cedo passaram a conviver com telemóvel, SMS, internet móvel, PC-Portáteis, PDA’s, iPhones, messenger, chats, twitter… what are you doing? (perceberam?).

O que se passou é que, mesmo as redes sociais reais, se virtualizaram quase completamente ou, pelo menos, passaram a circular pelos mesmos meios que suportam as virtuais… e passaram elas próprias e usar ferramentas que vieram também a gerar, simultâneamente, as redes sociais virtuais (entenderam um padrão?): quem não tem um curriculum online? e quem não o mandou já pelo Messenger? e se esse curriculum estiver no LinkedIn, bastante melhor… e o LinkedIn é anterior ao fenómeno, não é? e no LinkedIn, onde se colocou o curriculum, adicionaram-se também os nossos conhecidos (conhecidos REAIS – e o site frisa bem essa condição)… mas, com eles, criam-se grupos virtuais de interesses profissionais (ou não…) … que são redes sociais… e as páginas no LinkedIn, fomos nós que a fizemos, com os nossos dados, informações, links, fotos, interesses … e enviámos participações nossas, para as páginas dos nossos conhecidos… “recomendações”, assim se chamam, nuns casos… participámos; criámos os conteúdos; administrámos a nossa página, influenciámos as páginas dos conhecidos.

Ah…mas afinal isto já existia! Pois…mas nem tinha nome, nem era tão omnipresente, nem tão ubiquo; e ainda não tinha provocado uma mudança radical dos comportamentos! Certo? E as alterações chamadas no seu conjunto de “Web 2.0” provocaram tudo isso, e em catadupa.

… parece-me, portanto, que um “truque vazio” de sentido, é dizer que “Web 2.0”  é um truque vazio, uma mera operação de marketing… acho que alguém fixou o olhar obsessivamente na árvore e ignorou a floresta… Enfim, admitamos, isso sim, que o termo é curto, demasiado curto, para tão profunda mudança na forma (ou nos suportes) de socialização do ser humano mas, à falta de outro, serve! O termo tem um significado mais ou menos conhecido e aceite por todos… e um nome é um nome… se lhe chamassem BATATINHA 3.5, também servia…

Na realidade apetece-me perguntar é: quem terá sido o tipo do marketing que terá concebido tal golpada, de inventar um termo vazio e destituido de sentido, como “WEB 2.0”, e foi tão genial… que conseguiu com isso mudar todo o relacionamento humano e comunicação, na sociedade contemporânea. Eu contrato-o. O tipo é um génio do marketing!…

 A não perder
http://www.paulgraham.com/web20.html

 

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