Num excelente post no site  logodesignlove-250px-copy, com o titulo “When logos look alike”, Mike Davidson faz uma comparação de 22 logos que apresentam semelhanças espantosas. Não se trata de plágio… trata-se mesmo de coincidência.

Nos nossos dias, a quantidade de grafismos corporativos que circulam, a semelhança das referências e influências dos designers, e ao fim e ao cabo a própria educação estética comum, que funciona como um backgroud para a criatividade, resultam na necessidade de realmente ser muito criativo, para evitar colagens a grafismos já existentes. E mesmo assim…

A velha frase pessimista de que “já tudo foi feito” não é justificação para nada fazer: criar é um acto tantas vezes solitário e individual, que sempre haverá algo de novo a criar. Simplesmente as regras do mercado, a educação, o acompanhamento das correntes, encaminham as estéticas e influenciam decisivamente as opções. Mas acima de tudo, e é um ponto raramente focado, as ferramentas disponiveis (software), com as suas limitações e facilidades particulares, são tantas vezes a fonte de se tomarem caminhos convergentes.

Quando há uns anos atrás o Corel Draw se impôs, era praticamente impossivel não detectar um logo desenhado com base nessa ferramenta: as curvas de Bezier, os dégrades, enfim… uma infinidade de detalhes que constituiam mais valias do software, ferramentas fundamentais, mas que conduziram a um abuso de efeitos “directos” que permitiam com facilidade a identificação. E depois… as limitações. No caso eram as dificuldades com as transparências, com as linhas finas, as limitações com os typeface disponiveis, com a coloração e os efeitos de cor na tipografia. Tudo contribuia para uma quase imediata identificação.

Hoje a variedade de software disponivel é maior…mas não muito maior. Designer que se preza usa pelo menos duas ou três  peças de software mainstream, com caracteristicas bem marcadas, ferramentas poderosas, mas mesmo assim limitadoras. O resultado é fatal…

Também as estéticas e principios gráficos, predominantes no mercado, limitam e encaminham. A criatividade não é totalmente livre: está condicionada por aquilo que é a moda, a preferência do publico, a teoria, as directivas de qualidade grafica, a prática comum, etc.

No final, só admira: como é possivel que não ocorra muito mais vezes? Apenas pela qualidade dos profissionais, pela informação que circula, pelo acesso que hoje é possivel ter, em qualquer parte do mundo, ao que se vai fazendo noutros lugares. Uma base de conhecimento comum que permite distinguir o trigo do joio, eliminar criações que possam ser colagens a grafismos existentes e, enfim à posteriori, avaliar o trabalho desenvolvido e evitar amargos de boca…

Afinal quem não se lembra de alguns casos portugueses…

 

 

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