O site Digital Signage Today publicou em 6 de Janeiro passado o artigo “The top 10 digital signage trends for 2009″ onde Keith Kelsen reune, ponto por ponto, as 10 tendencias e preocupações da industria da Digital Signage relativamente ao desenvolvimento destes meios digitais no ano que agora se inicia.

  • Trend #1: Content is the next main talking point for the industry
  • Trend #2: Traditional broadcasters are getting into the digital signage marketplace
  • Trend #3: Agencies are awaking to the power of digital signage
  • Trend #4: Brands are shifting money to this market from traditional TV
  • Trend #5: Cross-platform and interaction with cell phones is critical
  • Trend #6: Interactivity and measurement
  • Trend #7: Data-driven content or ad search for DOOH
  • Trend #8: Cost of LCD and players is entering next phase of cost down
  • Trend #9: Consolidation and failures will continue
  • Trend #10: Growth for the industry is moderate, but positive

A estas tendências, Jorge Oliveira faz um interessante comentário no blog http://blog.activemedia.pt/2009/01/19/top-10-digital-signage-trends-2009/, onde diz, nomeadamente: “Ponto a ponto, Keith Kelsen fala das 10 tendências para o mercado do digital signage ou dos canais multimédia ou corporate tv ou… ponto a ponto fiz a minha leitura.” Também eu fiz a minha leitura e, em muitos pontos estamos completamente de acordo; Noutros discordamos radicalmente, quase sempre apenas por uma diferente visão do universo a que se aplica a análise. Para quem não me conhece, a minha visão da digital signage é muito mais uma visão de marketing interactivo, adaptável, one-to-one, do que uma visão de canal de difusão televisiva. E isso afecta a maneira como vejo as coisas.

Nenhuma das minhas análises aqui colocadas é novidade, e nenhuma das tendências apresentadas pela Digital Signage Today traz qualquer novidade ao que tenho dito durante o ultimo ano. Veja-se o dossie da Briefing de Dezembro de 2008, sobre Digital Signage, em que as minhas afirmações em entrevista são transcritas, as quais, no geral, vão ainda mais longe do que as tendencias assumidas por Keith Kelsen na Digital Signage Today já em Janeiro deste ano, apesar de baterem certo ponto por ponto. Ficheiro: Entrevista de João Ledo Fonseca no jornal BRIEFING Dezembro de 2008

Trend #1: Content is the next main talking point for the industry

Este é de facto uma das principais tendências, agora que, finalmente, as empresas, instituições, os operadores e as agencias de publicidade e meios FINALMENTE entenderam que este é, como todos os outros, um meio com linguagem específica e que só com esta consciencia é possivel tirar todo o partido do potencial que tem. De nada serve esgrimir argumentos como métrica de audiências, brand recall, capacidade de comunicação one-to-one, capacidade de influenciar a escolha de marca directamente no ponto de venda, quando no final se usam conteudos produzidos para outro meio, completamente desadaptados, ou produções de baixo custo, seguindo principios dubios ou nenhuns principios. A digital signage é um meio já maduro, mas com uma linguagem própria, específica e já bem estabelecida. NÃo é televisão! Não é publicidade estática! Há quem pense que a questão é apenas uma questão de “qualidade dos conteúdos”! Mas não é! É uma questão de ESPECIFICIDADE do meio, de psicologia de comunicação… o espectador não está própriamente sentado na sua sala, com o copo de whisky na mão, pronto a “ver” os conteudos… está, isso sim, a mover-se, a comprar, a tratar dos seus assuntos, concentrado noutras mensagens, motivado por outras actividades, estimulado por outros meios; passa pelo ecrã e segue a sua vida, e a janela de oportunidade de comunicação reduz-se a uns meros 3 ou 4 segundos… ainda pouca gente percebeu que TUDO tem que ser diferente na linguagem da digital signage.

Muitos anos de experiência em digital signage e um acumular gigantesco de situações estudadas, levam-me a afirmar: esta é efectivamente uma das grandes tendências; finalmente começa-se a perceber que não é só mesmo uma questão de “qualidade”, mas sim uma questão de construção e linguagem dos conteúdos. Ainda bem… sempre disse isso.

E principalmente, devemos lembrar-nos que quem mais tem errado nisto é quem pensa que pode transplantar um conteudo produzido para televisão, para um meio como este, completamente diferente!!!

“As a new medium, digital signage needs to define its own creative approach to content.”

E o principal desafio é para quem produz conteúdos mas principalmente quem produz a publicidade. É radicalmente diferente a linguagem a usar num canal de televisão, visionado no conforto e tranquilidade da nossa sala, da linguagem a usar num ecrã que se vai ver durante 3 segundo entre a prateleira de feijão em lata e a do oleo alimentar, ou durante 10 segundos enquanto percorremos as montras de um centro comercial, entre distrações e solicitações visuais diversas e atraentes. E quem não entender isto vai falhar o alvo por completo…

O conjunto de principios que regem a linguagem a aplicar na Digital Signage constitui hoje um corpo de conhecimento valiosissimo, mas infelizmente ainda não genéricamente aplicado… só entre os profissionais que desde cedo têm ensaiado e experimentado, estudado e destilado os principios da psicologia da comunicação, estes principios se estabeleceram. E é falhar completamente pensar que saber produzir para a televisão ou para a Web é suficiente para produzir para Digital Signage…infelizmente é o erro mais comum, mesmo de quem pensa que está a acertar no alvo!!!

Trend #2: Traditional broadcasters are getting into the digital signage marketplace

Em Portugal alguns dos operadores já o tentaram, alguns rentabilizaram conteúdos que detinham, cedendo-os, vendendo-os peça a peça, ou usando-os em redes de digital signage, outros lançaram-se na exploração das redes.  E isto já há alguns anos. Internacionalmente não é o caso e as poucas experiências que foram feitas resultaram em sucessos muito relativos ou em insucessos rotundos (como aliás em Portugal), mas cada vez o interesse é maior, uma vez que as redes são cada vez em maior numero, maiores e mais omnipresentes, e o interesse económico na sua exploração é cada vez maior. É que,  e aqui uma vez mais, as linhas da comunicação na digital signage são absoluta e radicalmente diferentes daquelas nos meios de difusão. Quem não perceber isto uma vez mais vai falhar. Quem o entender tem uma porta aberta para o sucesso.  

Infelizmente (ver “as minhas tendencias”) o mercado já está a deixar a Digital Signage para trás (e nós em Portugal somos pioneiros) e está a passar para conceitos muito mais evoluidos de Dynamic Signage, Interactive Signage, Interactive Marketing e One-to-One-Signage, em modelos muito variados e diversos, que incorporam uma quantidade de pequenos desenvolvimentos e tecnologias mas que afastam cada vez mais a Digital Signage de qualquer paradigma de difusão. Aparentemente os operadores da difusão tradicional vão ter completa incapacidade de o entender e seguir, até porque a “nova Digital Signage” se baseia numa lógica completamente diferente da lógica de difusão de massa, e muito mais na do marketing One-To-One ou marketing de proximidade. Mas também em conceitos mais modernos como Urban Computing, Pervasive Computing e outros ainda menos concetâneos com os paradigmas actuais. 

Trend #3: Agencies are awaking to the power of digital signage

“In-store media is the new frontier for agencies looking to expand product presence and increase sales at the shelf. The good news is that the media is measurable with real sales-lift as proof.”

Finalmente as agências começam a interessar-se pelo meio, numa época em que os orçamentos começam a ter que ser esmagados, e aqui a digital signage bate tudo e todos, incluindo mesmo os meios mais pobres como a publicidade estática, e os anunciantes exigem mais e mais eficazes meios de comunicar. Os novos desenvolvimentos tecnológicos aportarão enormes mais valias e os conceitos de interactividade, personalização e one-to-one farão o resto da revolução. Na Dreamfeel desenvolvemos sistemas interactivos e que personalizam a informação há já algum tempo. Notamos que o factor “Wow!” é decisivo mas, numa exploração mais profunda das potencialidades, repentinamente é como tirar o tapete debaixo dos pés dos criativos da publicidade: as potencialidades são tantas e tão gigantescas que de certo modo se perdem as referências da prática de muitos anos… e portanto vai ser necessário reaprender a profissão.

O argumento falacioso usado até ao momento de que o meio não era mensurável cai por terra: desde sempre foi mensurável e agora ainda mais, com o uso de produtos e tecnologias que permitem uma métrica exacta ecrã por ecrã, segundo a segundo… na realidade nenhum outro meio é tão mensurável como a digital signage!!! Mas esta sempre foi uma boa justificação para os comodistas que preferiram manter-se nos meios tradicionais, que conheciam e dominavam, e eximir-se a oferecer aos seus anunciantes estes novos e muito mais eficazes meios.

No entanto o papel das agências de publicidade e comunicação fundamental, e terá o papel decisivo na forma como o negócio se desenvolverá, mesmo sob o ponto de vista tecnológico, uma vez que o financiamento da incorporação de todos estes conceitos só pode vir de redes de difusão que se paguem a si próprias, que fiquem populadas de publicidade e que aproveitem os potencias tecnicos do meio. É preciso que colaborem, que acompanhem, que proponham, que arrisquem e que entendam o novo meio.

Trend #4: Brands are shifting money to this market from traditional TV

“For brands to survive and retain customers, they must spend money at the point of sale, or risk losing customers to generic brands. Once lost, a customer is tough to win back — and expensive.”

A saturação dos meios e o duvidoso retorno efectivo das campanhas tradicionais quando comparados com meios alternativos, levam a que esta seja uma tendência sem duvida forte dos proximos tempos. A eficaz comunicação de marca passa tantas vezes por surpreender, inovar, ser fresco e criativo e as possibilidades que os meios alternativos trazem são tão vastas e tão desafiantes que é quase tautológico afirmar esta como uma tendência. No entanto a barreira das agências tem que ser vencida e se todos os casos em que a marca recorre directamente a quem instala e gere estes meios têm sido sucessos sistemáticos (veja-se em portugal os casos Vodafone, Optimus e TMN, BP ou REPSOL), a digital signage como meio em que se compra tempo ou espaço, pura e simplesmente não existe ou tem importância marginal em Portugal, porque as agencias de meio insistiram até agora em ignorar o meio.

E o potencial aumenta tremendamente quando se pensa no cruzamento de meios. Um cenário tipico (seguido e já largamente experimentado por marcas internacionais) usa a digital signage no ponto de venda, como o complemento central e fundamental, das campanhas desenvolvidas nos outros meios. Nestes casos as campanhas são pensadas de raiz para se espalharem e desenvolverem pelos varios meios, e não apenas transplantadas de uns para outros… para isto é necessário know-how, que felizmente temos desenvolvido ao longo dos anos.

A real mais valia dos meios interactivos, tecnológicos, e do mesmo modo da digital signage tradicional, está na capacidade de no ponto de venda acrescentar comunicação one-to-one aos meios mais tradicionais e permitir, no cruzamento de meios, obter efeitos surpreendentes no momento da decisão de compra. Esta mais valia já é reconhecida pelas marcas. Lidar co isto ainda não está nos horizontes de muitos dos players do mercado de meios.

Trend #5: Cross-platform and interaction with cell phones is critical

“Tracking these interactions to measure the success of a network will also play a part in the overall success of the campaign. Digital signage will take a front seat in this area, adding value to the entire digital communications grid.”

Para muitos, mesmo para alguns especialistas, esta interacção reduz-se ainda aos já usados SMS’s e à, só agora explorada, tecnologia, Bluetooth. Para outros reduz-se ainda ao download de aplicações para o telemóvel; alguns já o vêm como um potencial meio para mais tarde, já fora da loja, obter mais informação, ver as promoções, as agendas de eventos e etc, prolongam a experiência do utilizador para além do canal e do espaço físico da loja. No entanto, e para outros como nós próprios, as possibilidades são imensamente mais vastas, e esta será sem duvida a tendencia #1 nos próximos anos:  é preciso notar que os dispositivos móveis têm uma audiencia infinitamente maior que todos os outros meios somados, estão no bolso do consumidor, são usados a cada passo e em cada momento…  a campanha de Obama, e apenas de numa utilização muito incipiente, mas radicalmente inovadora, provou o seu potencial; e o mais que por aí vem!!!..

Na Dreamfeel, em alguns exercícios de criatividade de no campo do cruzamento de meios, incluindo dispositivos móveis,  baseados na nossa longa experiência com meios digitais e digital signage, chegámos rápidamente a largas dezenas de cenários de cruzamento dos meios moveis com o digital signage e com outros meios de publicidade, cenários esses completamente revolucionários, inimagináveis há algum tempo atrás, radicalmente inovadores, e a carteira de propostas possiveis cifra-se já em centenas  de ideias e possibilidades, das quais as mais básicas passam pelo simples difusão bluetooth de media, e as mais complexas por completas aplicações que, via internet, colocam  a loja  no bolso de todo o potencial comprador, passando por listas de compras e de desejos, pelo seguimento online de tendencias, preços, produtos e sua disponibilidade, ou pela interacção activa do publico com os paineis de publicidade num cenário de interactividade one-to-one.

Trend #6: Interactivity and measurement

“The engagement of the consumer adds tactile to visual, and helps to create an emotional connection with the brand and product.”

Esta é uma àrea que se desenvolverá rápidamente, assim a criatividade de publicidade e de comunicação consiga seguir a velocidade da criatividade tecnológica. As lojas do futuro, as experiências das lojas Vodafone, TMN e Optimus, entre outras, são marcantes… mas os projectos e as propostas concretas que diáriamente saem da nossa imaginação e das nossas equipas criativas são tantos e tão diversos, tão variados e inovadores, que acredito que se possam contar por milhares os projectos que, apenas em Portugal, todos nós, os profissionais da digital signage e do marketing interactivo, possam estar a magicar.

É claro que ainda há no mercado quem insista em modelos ultrapassados de interactividade: os feiosos quiosques interactivos, os touch-screens com aplicações segundo um “modelo internet” de há 5 anos atrás… enfim. Hoje falamos de outra coisa: qualquer superficie pode ser interactiva, qualquer superficie pode conter uma projecção de imagem, o vidro das montras transforma-se em ecrã, em superficie  touch-sensitive, interfaces interactivos de identificação gestual permitem uma interacção natural, sensores de presença, de força, de temperatura, de acelaração ou de posicionamento espacial permitem multiplas interacções, RFID, WiFi, GPS e GPRS permitem geolocalização, mecatrónica permite interacção mecanica nos dois sentidos… um mundo de interactividade que qualquer marca pode aproveitar para se projectar de modo inesquecivel para o publico. 

Trend #7: Data-driven content or ad search for DOOH

“Just as with Internet search engines, metadata for content and screens will ultimately be matched for the right time, place, target and behavioral attitudes.”

Pois… temos tentado dizer que hoje a tecnologia já o sabe fazer… nós já sabemos… o one-to-one em toda a plenitude… assim haja vontade para investir. E o investimento nem sequer é principalmente financeiro, mas sim de aposta estratégica e operacional. Mais uma vez, se há coisa que a campanha de Obama nos EUA mostraram é que tudo isto é possivel de ser feito de forma fácil, rápida e eficaz…de que estamos à espera? Sem duvida que será uma tendencia…ou uma realidade, apenas acessivel a quem entende do que estamos a falar.

Trend #8: Cost of LCD and players is entering next phase of cost down

“Innovations on the media player side will also bring pricing down.”

A industria tem reagido bem ao aumento da demanda, quer com novos produtos (hardware e software), quer com a baixa de preço, quer ainda com a inclusão de funcionalidades. O cruzamento de produtos desenvolvidos para consumo (set top boxes, media centers, MP4’s, mediaplayers, car computers, servidores NAS, etc.) contendo funcionalidades interessantes, com os produtos desenvolvidos com especificações profissionais (media players, fanless computers, media servers) tem permitido chegar a baixos preços em produtos com interessantes performances profissionais.

No nosso conceito podemos rápidamente chegar a conceitos de digital signage do tipo “cartão de carregamento” como nos telemoveis: o cliente compra uma caixa (um player) contendo também uma licença, carrega a sua conta, via internet, edita o seu canal numa aplicação online, e tem digital signage no seu ponto de venda enquanto for recarregando a conta, terminando o serviço quando já não lhe interessar… falem comigo que tenho algumas ideias interessantes a apresentar neste campo!!! 

Trend #9: Consolidation and failures will continue

“Though we may see failures undermining the integrity of the industry, the pieces will be picked up and business models changed to improve the industry overall in 2009;(…).”

Há sempre quem tente fazer omoletas sem ovos… quem pense que isto é mais do mesmo… ou “try to unscramble, scrambled eggs”…

Trend #10: Growth for the industry is moderate, but positive

“Digital signage networks have the opportunity to reduce costs, save resources and communicate powerful messages.”

Já muitos perceberam que um canal de digital signage não é mais “um piloto” nem pode ser feito em modo experimental, sem métrica e sem condições de ensaio, sem abordagens profissionais e sem o aconselhamento de consultores competentes. Um projecto de digital signage é possivelmente um dos meios mais poderosos ao alcance das mãos dos profissionais de marketing. É uma caixa de pandora se mal controlado…é um el dorado se usado com competência e estratégia apropriada.

Nos EUA, a que se refere este estudo, cada ponto de venda dispõe já de inumeros plasmas e TFT´s, bem ou mal explorados, não está em questão, e o crescimento vais ser mais do lado da prestação de serviços profissionais, na adequação do existente e na implementação de novos conceitos, do que na implantação de projectos de raiz. Entre nós vai ser o contrário… muitos projectos de raiz ainda nascerão, muito haverá a criar.

Na Europa e culturalmente, somos mais criativos e menos complacentes com conceitos standard,  mais exigentes com os meios e os fins. Muito se fará ainda e muito espaço haverá para crescimento destes meios, quer em projectos standard e de massas, quer em projectos especiais, inovadores, rompendo com padrões, surpreendendo e criando eventos pelo simples facto de serem diferentes. As questões do baixo custo desta publicidade em Digital Signage e o imenso potencial de marketing das ferramentas interactivas e da Dynamic Signage prometem ainda ser um campo para se explorar largamente e por muitos anos. Na europa o crescimento do mercado será ainda grande, e o da industria também… assim nos consigamos livrar dos conceitos standard e de massas presentes no mercado americano.

Ficheiro: Entrevista BRIEFING Dezembro de 2008 (João Ledo Fonseca fala sobre Digital Signage)
O post original: “The top 10 digital signage trends for 2009″