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Um museu não precisa de chato. Realmente não. Alguns são. outros não, de todo.
O Museu da Ciencia, de Coimbra, está no segundo grupo.
Tire algum tempo, e veja a colecção online em Museu da Ciencia – Colecção Online. Se o que viu lhe interessa, se faz parte do seu imaginário, então este artigo é para si.
Em Fevereiro deste ano escrevi, neste blog, uma série de artigos sobre multimedia e museus em Portugal.
Ainda hoje vou recebendo feed-back sobre esses artigos.
Desde criticas, mais ou menos fundamentadas, mas sempre pertinentes, a contribuições e sugestões que, já hoje, mereceriam mais uma série pelo menos de outros 4 artigos.
“É a campa simples de uma gata que foi amada. Pequena campa ao longo de uma parede de arbustos secos. Imagens da gata Zgougou, bem viva, aparecem sobre a campa, que fica coberta de conchas. Em seguida flores de papel invadem as ramagens das árvores. Levantamos o olhar desde a campa em direcção aos pinheiros, vemos o oceano e o canto da ilha onde repousa Zgougou, um pontinho minúsculo do planeta, minúscula gatinha.” Agnès Varda.

It’s part of Ars Electronica’s nature to constantly seek out what’s new. In going about this, however, attention is never on art, on technology or on society singly while excluding the other two. Instead, the focus is always on complex changes and interrelationships at the nexus of all three.
Ars Electronica é um conceito, e uma organização, sob a égide da qual se exibem exposições em todo o mundo, se mantém um museu e um arquivo online de arte electronica, se desenvolvem trabalhos pioneiros de investigação e desenvolvimento, num centro/laboratório dedicado à arte electronica e a sua interacção com a sociedade, se fazem conferências e seminários para e com o público e, por fim, anualmente se institui um prémio, com várias categorias no universo do trinómio arte/tecnologia e media/sociedade.
Um museu é um espaço vivo, em que o visitante interage com as peças expostas, com o conhecimento, com a criação, com a história, com os exemplos vivos da temática tratada! Será? Infelizmente a resposta é não!!!
Mas a tecnologia dá-nos possibilidade de mudar tudo isso.
A renovação do website do Museu Nacional dos Reis deu àquele museu um novo rosto na internet.
Um site exemplar, no nem sempre muito bom panorama nacional relativamente à presença internet dos museus. O novo design, que consideramos muito bom e e eficaz, no contexto de um museu, foi efectuado pela Mister Hyde Design e a programação foi realizada pela Create IT.
O site pretende ser um recurso de excelência na divulgação do Museu, das suas colecções e actividades, bem como funcionar como um local de referência na realização de pesquisas e partilha de informações, acessível a todos os visitantes interessados.
Endereço: http://mnsr.imc-ip.pt
A recuperação do palacete setecentista dos Pereira do Lago para instalação do museu foi a última obra do arquitecto Fernando Távora, falecido em 2005, tendo sido concluído pelo seu filho, José Bernardo Távora.
A intervenção teve como objectivo a instalação de equipamentos de arquivo e museu, além da criação de um parque de estacionamento subterrâneo.
A revista Museu é uma revista brasileira online de museologia.
Apesar da não ter publicação em papel, a revista constitui uma referência brasileira no tema. O seu site apresenta um bom numero dos artigos publicados, nas diversas temáticas tratadas, sendo que alguns são temas bem locais, outros são temas de interesse universal.
Com um site algo confuso, o acesso aos artigos é no entanto fácil, dispondo ainda de um eficaz motor de busca interna, que permite rápidamente encontrar com precisão o que se pretende. O site apresenta ainda um noticiário actualizado com boa periodicidade, além de loja online, agenda de eventos (brasileiros e mundiais) além de secções sobre legislação, endereços brasilerios, glossário, e lista de links (apesar de estes terem um acesso pouco eficaz.
Apesar de um site pouco organizado os artigos são de bom nivel e as temáticas interessantes. Vale a pena adicionar à lista de favoritos.
Referências:
Revista Museu (Br)
A revista Nuova Museologia é desde 2001, ano da sua fundação, uma referência da museologia, lida e referenciada em todo o mundo. Actualmente, e desde 2005 é o Órgão oficial da Associazione Italiana di Studi Museologici, e publica artigos sobre todas as àreas de conhecimento directamente ligadas aos museus e museologia.
Centrada principalmente nas problemáticas dos museus de arte e históricos, não descura uma visão global de todas as temáticas de museus, nomeadamente com artigos já publicados sobre museus arqueológicos, regionais, particulares, antropológicos e etnográficos, musicais, de ciência, tecnologia, entre outros. A revista contém artigos de elevada qualidade, nomeadamente estudos teóricos, casos reais, teses e opiniões, reportagem de museus, principalmente italianos, mas também um pouco por toda a Europa, artigos de referência e informação de carácter geral.
O site é absolutamente básico, e está bastante mal construido, além de apresentas diversas falhas técnicas, de concepção, usabilidade e ignorar completamente os principiios de design. No entanto vale por disponibilizar online os números publicados até ao Nº13 de Novembro de 2006 (actualmente foi publicado o Nº 17), em formato PDF. Só por isso compensa já uma visita.
Referências:
Nuova Museologia
O edificio ergue-se estranho e provocador junto ao rio. Os reflexos metálicos, sobre as placas de titanio que o cobrem, assumem ora os tons cinzentos do céu, ora os dourados de um sol poente, ou os azuis da água que o ladeiam e do céu nos dias descobertos. As formas exuberantes surpreende, e o desenvolvimento em ondas de novos volumes espanta.
O projecto de construção do novo museu dos coches está em andamento.
Este novo equipamento valorizará e dignificará uma colecção única no mundo (única realmente em muitos aspectos) e que hoje está mal alojada, por falta de espaço, ainda que dividida entre o belissimo edificio do antigo picadeiro real do palácio de Belém (que afinal nunca funcionou como picadeiro…) e anexos do palácio real de Vila Viçosa.
A criação de condições dignas para acolher os milhares de visitantes maioritáriamente estrangeiros, que o visitam anualmente (é possivelmente o museu português com maior número de visitantes ano, de forma consistente) é outro factor importante, e que permitirá dignificar uma colecção com importância mundial.
Quando há uns tempos atrás tomei contacto com alguns projectos museológicos ou de desenvolvimento de conceitos e conteudos multimedia com aplicação museológica, e esgravatei os conceitos e teorias subjacentes, fui ficando surpreendido com a profundidade do que estava a ser feito.
Não tenho qualquer pretensão a especialista em muito destes campos. Acho que poucos podemos ter em Portugal. Deixo aqui alguns projectos, para quem quiser explorar com mais profundidade alguns dos conceitos.
Interactive Multimedia Group
Louvre DNP – Museum Lab
Natural Interactions e IO Agency
People naturally communicate through gestures, expressions, movements. Research work in Natural Interaction is to invent and create systems that understand these actions and engage people in a dialogue, while allowing them to interact naturally with each other and the environment. People don’t need to wear any device or learn any instruction, interaction is intuitive. Natural Interfaces follow new paradigms in order to respect human perception. Interaction with such systems is easy and seductive for everyone.
Bill Buxton is a relentless advocate for innovation, design, and – especially – the appropriate consideration of human values, capacity, and culture in the conception, implementation, and use of new products and technologies.
LM3Labs
Museum Interactive Multimedia
Um repositório de documentação com alguns trabalhos muito interessantes.
Interactive Multimedia Technology
Um blog dedicado a interactive multimedia.
This blog focuses on how interactive technology can support collaboration, communication, and engaged learning. It also touches on ways technology can support intervention & prevention efforts in health, mental health, and related fields. You’ll find information about interactive touch screen applications, HCI, universal usability and accessibility, Universal Design for Learning, serious games, and innovations. Enter a term or phrase in the search box to find something that interests you!
Uma série de artigos:
New-media num museu? – Parte I
New-media num museu? – Parte II
New-media num museu? – Parte III
New-media num museu? – Parte IV
Para quem nasceu com internet em casa, quem usa um portátil diáriamente, com net de banda larga, tem o google permanentemente acessivel, cria albuns de fotografias e de recordações no Facebook, e no Flicker, regista notas em blogs, quem usa um iPhone, passa o dia georeferenciado, ouve musica num mp4, e já quase não sabe o que é um CD, chegar a um museu, tal como os temos em Portugal, entra em estado de choque imediato: é quase como entrar repentinamente num mundo surrealista e confuso, de ausencia total de informação, e de referências, de comunicação e de processos conhecidos.
Num mundo de meta informação, tudo contém ligações e referências para algo, que o contextualiza e completa. A meta-informação está acessivel e contida em cada objecto. Para uma mente “google” é impensável um local onde existe uma peça, sobre a qual não se pode clicar numa ligação ou ir à caixa de pesquisa e, daí, entender para que serve, de onde vem e o que significa, e depois explorar as ligações e ir parar a outras peças, fisicas ou virtuais, ideias e conceitos, relacionados ou já apontando novas direcções. Para que queremos os museus?
Infelizmente pode já ser tarde, pois que afastámos definitivamente as gerações emergentes, destes locais no sense à luz do seu proprio raciocinio. E aquilo que são processos de exploração, que se criam na infância e na adolescência, é já incompativel com o que nos esquecemos de colocar nos museus. Podemos agora lá colocar multimedia, meta informação, interacção e exploração, meios digitais e conteudos complementares ricos. A incompatibilidade já foi criada, e “geração google” já não será recuperada, pois não será entre dois empregos que se reformulam processos de raciocinio e de entendimento do conhecimento. Para estas gerações o esforço é inutil. Pensemos então nas proximas, já que estamos a perder as actuais.
Tive a sorte de poder trabalhar (ainda que indirectamente) com arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha , premio Pritzker em 2006, como consultor para o estudo previo do projecto expositivo do futuro Museu dos Coches em Lisboa.
Apesar de o conhecer, entre outras obras, como autor de uma das mais bem sucedidas experiencias museológicas recentes, ficaria surpreendido com a sua capacidade de entender como as tecnologias digitais podem contribuir, participar, potenciar e complementar um ambiente expositivo. Trata-se do Museu da Lingua Portuguesa em São Paulo, em que aliás Portugal participou, não certamente com fornecimento de tecnologia expositiva!
Poderia (escrevi eu) ficar surpreendido (por oposição ao que cá se tem feito) com o quanto é obvio e natural, para este extraordinário arquitecto a interacção e integração total entre edificio, tecnologias, exposição, media, conceito expositivo, e museu como um todo funcional. Mas não fico, porque também para mim é obvio…
Ao trabalhar diáriamente com conceitos criativos na àrea multimedia e interactiva, a quantidade de conceitos inovadores que todos os dias naturalmente me surgem e se poderia desenvolver para ambientes expositivos, é gigantesco. Houvesse quem aplicasse 1% deles e teriamos certamente alguns dos mais inovadores museus do mundo… e dos mais cheios de gente participativa. E não excluo a hipotese, de que certamente teriamos também nos museus um dos mais valiosos equipamentos e meios de promoção cultural da população Portuguesa.
O que me surpreende é a pobreza das soluções, do pouco que se tem timidamente tentado, baseado na espectacularidade, tanto como na inutilidade, gratuito e descontextualizado, servindo nenhum propósito que se detecte, ou apenas encher a parede ou a sala em que se instala, espelho perfeito da pobreza do resto do arraial museológico, e que depois aparece noticiado como se fossem grandes realizações tecnológicas… serão, mas à dimensão de quem as fez, sem qualquer intuito depreciativo, nesta afirmação. É que muito mais teria que ser feito para, no minimo, ser util, e não apenas espectacular, pois isso é fácil. Já a utilidade, a propriedade e a adequação é outra conversa. Exige estudo cuidadoso, inventividade, criatividade e conhecimentos multidisciplicnares. E meia duzia de aparelhos multimedia, comprados no supermercado das peças electrónicas, não fazem um salto tecnológico. Só fazem mais rico quem as fabricou, e quem pelo caminho lhes aumentou o preço… e o nome… até serem multimedia interactiva.
É que um mapa, quer esteja em papel, quer esteja num ecrã de plasma… continua a ser um mapa estático. Multimedia, é quando o mapa ganha cores, e sons, zoom, ligações a informação externa, e de cada ponto saltam icons e marcas, voam fotos e se espraiam videos e infografias. E interação é quando é o utilizador que comanda tudo isso, que encaminha, que interage e diz o que quer ver e o que não lhe interessa! Já sei…isso custa dinheiro! Principalmente quando não se sabe o que se quer, e se pede hollywood inteiro metido num cartão SD… depois queixem-se! Pois digo que é mais barato fazer um mapa multimédia, do que um mapa em papel, para depois lhe tirar uma fotografia para o pôr em plasma (não se riam, que já vi esse processo de…”fabrico”!)… Outra conversa é o preço que o mercado pede. Mas isso é porque, por ignorância se deixa e permite!
E apesar de tudo, em alguns dos novos projectos, principalmente se construídos de raiz, a atitude tem sido a correcta e o multimedia e a interactividade, sob diversas formas (não obrigatoriamente digitais – veja-se o imaginarium), tem sido incluído, mas… nos outros, continua a ser “uma chatice”!
E o certo é que nunca ouvi dizer que atirando dinheiro para cima de um urso, ele passasse a ter carta de condução… também não basta colocar multimedia, é necessário saber para quê…e isso… cada um sabe do que é capaz, e a mais não o podemos obrigar.
E se um museu é já por si uma instituição cara, dificil de manter, dificil de justificar, pior se de repente se lhe põe multimedia, que não se entende bem para que serve. Pior ainda se isso não serve clara e esclarecidamente um propósito efectivo qualquer, seja de promoção cultural, de atracção do público a temas específicos, proporcionando o contacto com realidades e objectos que lhe não são acessiveis de outro modo, proporcionando as ferramentas necessárias para os interpretar e para os contextualizar, e as pistas necessárias para explorar e para lhes dar enquadramento cultural, histórico, tecnico, social, etc., e sem esquecer a função museológica de ao mesmo tempo os preservar para as gerações vindouras. E se no aspecto da conservação, me permito dar o beneficio da duvida…quanto à atracção do público, e ao interesse cultural, educativo e formativo, mas principalmente quanto às ferramentas de interpretação e contextualização não tenho dúvida nenhuma: um museu estático, expositivo apenas, atrai hoje tanto publico quanto um urubu coxo no meio do deserto… e dele se entende tanto quanto se entendia no momento em que se entrou na porta do museu; mas pior ainda que isto, é um urubu coxo, no deserto e carregado de multimedia!
Ao menos que se delicie os olhos, mas nem nisso os nossos museus (com as devidas excepções) são bons!…e no entanto os meios para fazer diferente são, infinitamente mais acessiveis financeira e tecnológicamente, eficazes e efectivos, reprodutivos e formativos, que qualquer investimento em novos edificios, e sem duvida nenhuma que em estádios, aeroportos, expo’s, TGV’s, reformas educativas, pontes, autoestradas e “novas oportunidades”… é que alguém está a falhar o alvo!
E esta alvo falha-se da mesma maneira que um vizinho meu que após concluir a sua nova vivenda, encomendou 12 metros de livros. Nem mais, nem menos. Ah…verdes e vermelhos e meia duzia deles castanhos e pretos, para condizer e fazer conjunto com os cortinados e sofás. Nos poucos casos em Portugal, corremos o risco de que alguém compre 12 metros de multimedia, apenas para actualizar o museu ali da esquina… felizmente podemos ter a sorte de que não venha a acontecer… até porque em Portugal será dificil de encontrar um museu ali naquela esquina. Mas com tudo isto despreza-se e ignora-se as verdadeiras recomendações internacionais e tudo o que o bom senso e a percepção das mudanças profundas na maneira como as novas gerações interpretam o mundo e a comunicação, aconselham.
Também confesso que não gostaria de ir a um museu ver um Rembrandt em desenhos animados. Está certo! Mas preferia mil vezes ver os tais desenhos animados se, ao olhar em volta, não me visse sozinho e isolado numa sala de museu rodeado de obras primas da pintura, de 200 anos de história artistica desaproveitada; e eventualmente terei sido um dos 10 ou 15 visitantes nessa tarde, num país de 10 milhões! Ah…havia jogo de futebol, e deviam lá estar os tais 25.000 adeptos, a encher os lugares construidos à custa do museu em que eu estou sozinho. Claro que se alguém metesse 25.000 no museu, se tinham construido tantos museus como estádios. Mas ia ser mau, porque 25.000 adeptos de futebol num museu, seria como um elefante em loja de porcelanas.
E triste é querer saber mais sobre Rembrandt, e a única resposta que tenho é uma placa na parede, diria ranhosa, o que nem era o caso, com pouco mais que o nome, principalmente se, em casa, posso projectar o mesmo autoretrato na parede, junto com milhares de textos que me descrevem a obra, exploram e referenciam a época, textos criticos, textos biográficos, entrevistas que discutem as correntes de pintura, enfim… a tudo o que me interessa saber para apreciar a obra. Bom.. resta-me sempre ir à livraria do museu… mas assim sai-me cara a visita, e nem todos levam livros para casa!
…pelo menos se não tiverem a medida certa!
Deixem lá, não faz mal, nem faz falta tirar a medida…tenho internet de banda larga. Da proxima não venho ao museu, fico em casa a consultar a wikipedia.
Uma série de artigos:
New-media num museu? – Parte I
New-media num museu? – Parte II
New-media num museu? – Parte III
New-media num museu? – Parte IV
Nesta série de artigos, e do lado das experiencias positivas em museologia, aplicando novas tecnologias, temos de relatar algumas conhecidas.
Uma experiencia continuada na aplicação de tecnologias a museus, é uma experiencia real e em curso, e que dá um background de tal modo vasto, de tal modo conclusivo, de tal modo rico, que na realidade só um verdadeiro especialista o pode entender. Acho que poucos em Portugal o entendem. Tirem as conclusões que quiserem, mas não digam aquilo que eu não disse!
Refiro-me a uma experiencia que já leva uns bons três anos e que dá pelo nome de ”Museum Lab - Louvre DNP” e no site do próprio projecto, é descrito como:
“Born of the collaboration between Dai Nippon Printing (DNP) and the Musée du Louvre, the Louvre – DNP Museum Lab joint project seeks to explore new approaches to artworks, particularly through the use of multimedia tools. “
Este é um espaço expositivo (no Japão) em que as novas tecnologias digitais, especialmente as multimedia e interactivas (e note-se que não são a mesma coisa, nem umas implicam as outras), e que procura criar experiencias de visita imersivas e ricas através do recurso a meios digitais para a introdução de conteudos ricos, de ambientes estimulantes, multisensoriais e participativos. Não sei que mais poderiamos querer! Acho que nada…
Museum Lab – Video <- Vejam este video! É imperdivel.
O objectivo do Museum Lab é meramente experimental, é certo, e é apenas de avaliar a potencialidade das tecnologias e lançar experiencias que, sabendo-se que serão de grande potencial, permitam avaliar o real impacto na forma como o público encara o museu, como participa, como interpreta. Afinar estratégias, valorizar tecnologias, selecionar ideias e modelos, é o principal objectivo. Por isso é um “Lab”. Mas em ambiente real de museu, por isso é Museum Lab.
É certo também que um ambiente de laboratório, declaradamente experimental, permite assumir maiores riscos, experimentar tecnologias menos consensuais, ensaiar protótipos e conceitos mais elaborados (mas provávelmente mais “dificeis”) e provávelmente menos ensaidos, fora do ambiente. Mas em contrapartida, o facto de ser um ambiente real de museu, permite uma total avaliação. E quantidade de tecnologias experiementadas, avaliadas, ensaiadas, fornece já um caixa de ferramentas de luxo, para qualquer museu que não se queira limitar a sistemas mutimedia mais ou menos consensuais e banais, sem real mais valia, a montagens interactivas mais ou menos main stream. e de pouco valor acrescentado. O valor de uma experiência como esta é enorme. Simplesmente está anos luz à frente do que alguma vez foi sequer sonhado para qualquer museu português… e esse e que é o busilis da questão.
Não me apetece dizer que em Portugal estamos na idade da pedra relativamente aos museus. Porque não estamos… já demos um ou dois passos em direcção ao futuro. Faltam agora apenas alguns milhões de outros passos, para nos pormos pelo menos a par da nossa época (mais uma vez, ressalvadas algumas honrosas excepções, principalmente na esfera privada). Ou falta alguma vontade politica… que dote de orçamentos aceitáveis as instituições existentes (e nada disto é assim tão caro, antes pelo contrário), para que, mais do que limpar o pó uma vez por semana, possamos investir na sua modernização ( não só em multimedia ou interactividade!).
Bem sei que um museu moderno rende poucos votos… na melhor das hipoteses rende pouco mais que os votos dos tecnicos competentes que entendem, e há muito sabem, o que deveria ser feito. Mas há critérios de valor que ultrapassam largamente motivações eleitorais. E os meios são simples. É apenas necessário ter a percepção de como a sociedade mudou, de como a expectativa do publico é diferente, mas fundamentada.
E entender que as mais valias conseguidas ultrapassam, com muito menor custo todos os esforços de formação, de educação e de reconversão de uma sociedade, baseados em meio escolar ou de formação profissional (sem que os excluam, obviamente). É que a capacidade de interpretação, do conhecimento e do mundo que nos rodeia, é a base sine qua non da elevação do nivel cultural, da literacia numa sociedade, e principalmente numa sociedade que se confronta com as transformações com que se defronta a nossa,na actualidade.
E notemos que tenho visto abertura de concursos, em que o peso do multimedia é grande… mas inutil. Inutil porque desenquadrado, porque nada criativo, porque decalcado de outras situações (mas isso e outro assunto). É que a isso não chamo interactividade nem multimedia: chamo electrodomésticos HiTech…e até se pode comprar em 10 vezes sem juros (desde que se subscreva o cartão de fidelização).
E aquilo que um museu vivo, interactivo, motivador, rico em experiências e vivencias, em estimulos e em provocações, em informação e em pistas, fornece, é a capacidade de entender o que de outro modo seriam apenas refugos e restos de um passado.
“In the last fifty years the development world has made the shift from an industrial to an information society. This change, for all its benefits, has led to increasing crime, reduced fertility, unstable family structures, a slump in institutional trust, a drop in confidence and the triumph of individualism over community”. 1
The emergence of the media-market has given more information to more people with the effect of emerging isolation. Bill Gates has changed our world, financially, politically and socially. We are on our way from a society of ‘planners’ to a new ‘risk society’.2 .
Unable to rely on ‘lifelong patterns’, either in our jobs, our relationships ,our class position, or within our social group we have to find new strategies for our everyday life within our changing society. In this context also the work place has changed from being, from a place for production to a place for thinking. Thinking includes also promoting individual creativity which plays a growing importance in both our working and our social lives.
These conditions evoce more focussing on creative problem solving and decision making by developing skills to adapt new situations and structures. We move from an information age to a new ‘learning’ age. 3
“Built environment education is essentially about relationships between people and place. It includes consideration of the built heritage, architecture, planning, environmental design, landscape architecture, public art, building, construction and civil engineering.
It addresses issues of environmental liberacy and participation. It aims to help people understand how the environment has come to be the way it is, what it is not only to develop awareness and understanding of built form, but to involve people in debate about environmental issues and enable them to participate in the processes which shape their environment…Education for sustainable development is about the learning needed to maintain and improve our quality of life and the quality of life of generations to come.
It is about equipping individuals, communities, groups, business and government to live and act sustainably; as well as giving them an understanding of the environmental, social and economic issues involved. It is about preparing the world in which we will live in the next century, and making sure we are not found wanting.”4
___________________
1 Francis Fukuyama, The Great Disraption, p.8
2 Paul Bélanger: lecture held in the Gothenburg conference of the Socrates project MUSAEAM in 1999
3 Sylvia Lahav, The Learning Age” held in the Gothenburg conference of the Socrates project MUSAEAM 1999
4 Sara Selwood, Cultural Trands, Issue 32, 1998, p.87
Relembremos uma citação já usada em artigo anterior:
“The integration of sound and image data into museum collections databases offered a new opportunity for recording the depth of information about works in museum collections, and interpreting their significance. New interactive multimedia interpretive tools also provided ways of communicating the rich context and meaning embodied by museum artifacts.”
Não podemos concordar mais!!!…com as devidas correcções, referentes a novas possibilidades que nem os maiores gurus da tecnologia terão previsto, pelo menos da maneira exacta que aconteceram e que, mais do que contrariar algo, apenas estenderam as possibilidades e a pertinência do caminho indicado.
Uma série de artigos:
New-media num museu? – Parte I
New-media num museu? – Parte II
New-media num museu? – Parte III
New-media num museu? – Parte IV
Fiquei espantado, há uns tempos atrás, quando ouvi da boca de um técnico de museologia uma afirmação do género: “Os museus não são uma feira! O multimedia digital não encaixa num museu!”
Que os museus não são uma feira, acho que estamos de acordo…quanto ao resto, talvez venha a ser uma desagradável surpresa para esse técnico. No minimo anda desatento… mas temo que já há muito tenha perdido o comboio!
Num documento do International Council of Museums (ICOM), datado de September 1996 (há já 13 anos, portanto!!!), e intitulado Introduction to Multimedia in Museums podia ler-se:
“The integration of sound and image data into museum collections databases offered a new opportunity for recording the depth of information about works in museum collections, and interpreting their significance. New interactive multimedia interpretive tools also provided ways of communicating the rich context and meaning embodied by museum artifacts.”
É que hoje em dia, isto nem se põe em questão… mas vale a pena recordar o que ainda na pré história do multimedia se dizia. E, nos desenvolvimentos da tecnologia, nada nos fundamentos destas afirmações o contrariam…
“Multimedia is an opportunity for museums. It offers a paradigm for capturing and preserving the multi-faceted information embodied in the objects of our culture. It also offers new capabilities for structuring and communicating knowledge of our collections.
By surrounding objects with a gloss that includes description, representation, interpretation, derivation and appreciation, we can document and communicate the cultural significance of artifacts. Meaning is preserved as well as physical form.”
É certo que podemos percorrer a maioria dos museus em Portugal, e parece que vivemos ainda no século XIX. Problemas de orçamento? Sem duvida, em todos os casos. Em Portugal gosta-se mais de construir de novo, sem raiz e sem referência, quando toca a investir… ou então em manter tudo como está, estático e estagnado, com reduzidos orçamentos, e com a manutenção básica assegurada…mas pouco mais.
Mas o facto é que a tecnologia não parou, os paradigmas de comunicação também não…e muito menos ficaram à espera dos museus. Se a tendência arrasadora de transferência para os meios digitais do interesse das novas gerações, arredaram para um plano obscuro o material impresso, livros, revistas, imprensa em geral, como veiculos de estudo e referencia (não conheço ninguém teenager que pegue numa enciclopédia impressa, já que a versão digital ou a propria internet faz o serviço mais depressa, num ambiente mais familiar, com mas potencialidade de aproveitamento, de citação e de manipulação, de relacionamento de informação e referência rápida a outras fontes), a forma e conteudo de um museu tradicional é algo que não encaixa na mentalidade de geek… e geeks somos todos hoje em dia.
O argumento de custo não tem fundamento. Ainda há meses a Dreamfeel propunha a um organismo responsável, a criação de Video Guias para um museu, baseados nos comuns iPods. Os nossos filhos passeiam-se com eles nas escolas, e no entanto a resposta foi, de modo um pouco mais elaborado: isso é muito caro! Acredito, sinceramente. Fica bem mais barato ter o museu vazio. Cada um tem os museus que merece. Acho, na qualidade de cidadão português (não como técnico, claro, que aí diria de modo bem mais elaborado, mas com consequencias bem mais gravosas), e não tenho problema em dizê-lo, é que há gente que não está nos lugares certos; por nada deste mundo!
E não ponho em causa competências. Ponho em causa atitudes. É que uma coisa é afirmar que não há orçamento, e aí só fica em causa quem é responsável pelas decisões que atribuem orçamentos de miséria a museus. Outra completamente diferente é afirmar que é caro! Ok. Fica então para outra oportunidade, em que a cultura, o conhecimento, mereçam mais, e os responsáveis saibam que um iPod não é caro, em lugar nenhum do mundo, para a função que poderiam exercer num museu. Mas claro que acaba por se compreender que as referências, destas pessoas, são o próprio ambiente em que se movimentam. E acabo por reconhecer que é assim menor a culpa.
Expositores estáticos, quadros pendurados nas paredes, peças metidos em redomas, e pó… pode ter funcionado no século passado. Neste século queremos mais! E não admitimos menos. Aliás, de pouco serve ter menos… é que ninguém já entende museus estáticos, cristalizados em objectos expostos, mas mortos, por muito que se tente pôr-lhes um cenário. Já não é assim que comunicamos! Já não é assim que entendemos e interagimos com o mundo. E isto porque as nossas referências, as referências da nossa sociedade, são o próprio ambiente em que nos movimentamos, com as suas vantagens e desvantagens, mas essencialmente com as suas regras intrinsecas.
O valor cultural de um objecto exposto, com uma legenda de 2 ou três linhas, não encaixa numa mentalidade de “um click para ter à disposição tudo o que se escreveu sobre o assunto”! Não é viável que uma “mentalidade google” chegue a um museu e não tenha ao lado de cada peça um caixa de pesquisa google… não faz sentido! Não funciona! Não serve! Esse museu perdeu o futuro. Já perdeu o presente e ainda não entendeu isso… perdeu as gerações emergentes, essas… as da PlayStation, da Wii, da internet móvel, do Magalhães, do MP4, dos iPods, dos SmartPhones, do iPhones, do GPS, da televisão HD. E vai perdê-las para sempre, que estas coisas não se recuperam entre um emprego e outro: criam-se durante a educação, e na formação de uma personalidade em transição pela infância e adolescência, em direcção a adulto.
Em museus criados por parametros modernos,
“The applications are often the most popular, visitors use them for a long time, enjoy the novelty of the technology, and have a memorable experience. The use and presence of the computers affects the way they behave in the museum, often encouraging them to stay longer and pay closer attention to the objects and exhibition themes. In some cases, the program raises new issues and encourages visitors to challenge, their perceptions.”
E no desenvolvimento:
The question we have to face in this context is the mission of every museum. Is it enough to convey knowledge, or should we invest more in the visitor dynamic with all the entails in terms of impact in museum organisation? A museum is not a school. It leaves ample rooms for fantasy and the individual approach.
On the other hand: the museum can and should address all aspects of social life: it holds the keys to a better understanding of society and its evolution. Acquisition without regard for the visitor’s perspective makes no sense.“The educational role of museums is at the core of their service to the public. This assertion must be clearly stated in every museum’s mission and central to every museums’s activities.”
E é nisto que não se compreendem museus estáticos, meros repositórios, por muitos banners e paineis estáticos que incluam. Certo que não se alcançam estes objectivos apenas com o uso de multimédia, mas sendo esta uma das ferramentas disponiveis, e sendo a linguagem que melhor alcança a maioria da população não nos parece legitimo insistir em ignorar a sua importância. No mesmo texto é citada uma afirmação lapidar:
It is not acceptable for museums to justify their existence to a significant degree in terms of their educational value to society, and yet to be unable to specify what that value is in concrete and practical terms and unable to say whether what they do meets generally accepted definitions of quality. Most museum directors, if asked to demonstrate that the museum benefits society, would be unable to do so. No museum should be funded at a time when money is so scarce, unless it is prepared to declare that the main purpose is public education, and to demonstrate that it is working to achieve this. We cannot afford to support bad museums.
David Anderson
Calha aqui mais uma citação:
… museum-education is not any more an ‘add-on’; it becomes an increasing core function integral to all museums activities.
Otherwise the fulfilment of the museum’s mission cannot be afford which could raise the crucial question why museums in general should be obtained. And this possibly leads in the final consequence to its disappearance.
David Anderson
Não seria tão radical…mas que estamos lá perto, não duvido. E repensar os museus, passa certamente por uma reflexão, que nem precisa de ser muito profunda. Basta que seja atenta e referenciada. Referenciada a quê? À sociedade, que é, em ultima análise, a quem um museu tem que servir. A presente e a futura… que a passada já…passou.
Uma série de artigos:
New-media num museu? – Parte I
New-media num museu? – Parte II
New-media num museu? – Parte III
New-media num museu? – Parte IV















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